Neste período foram defendidas 11 teses.

Útlima atualização 10/01/2017

 

 

Alexandre de Oliveira Fernandes

Título: Axé: Apontamentos para uma a-tese sobre Exu que jamais (se) escreverá

Orientador: Helena Gomes Parente Cunha Páginas: 343



Axé. Encruzilhadas. A-tese. Corpo/Corpus de Exu. Estudos da desconstrução. Ambivalências. Gozo. Dor e prazer: da esquerda e da direita. Cachaça. Gargalhadas. Padê. Ritos e mitos. Exu é: Mãe Menininha do Gantois, Mãe Senhora, Mãe Aninha, Martiniano Eliseu do Bonfim, o Mestre Didi. Um multiplicado: Edson Carneiro, Artur Ramos, Juana Elbein dos Santos, Muniz Sodré, Síkírù Sàlámi, Ronilda Iyakemi Ribeiro, Reginaldo Prandi. Ao infinito: Michel Foucault, Jacques Derrida, Sigmund Freud. Exu erótico: potente estrovenga, fodilhança. Diáspora: Exu africano batizado no Brasil, compadre de Ogum. Diásporas: Exu nas Américas. Exu-Jorge Amado: cúmplices, mabaças, parceiros, compadres – Dorival Caymmi, irmão-gêmeo – a expressão ―trabuquear o croquete‖ é poesia das audácias manuais; Carybé, Mirabeau, Eduardo Portella. Amizades e controvérsias: Gilberto Freyre, Antônio Carlos Magalhães. Controvérsias: Abdias do Nascimento. Tenda dos Milagres: colonialismo, neocolonialismo, o bestialógico importado do imperialismo e a malandrice de Darcy Ribeiro, Leonardo Boff, teólogo da Libertação, Roberto Da Matta, antropólogo do alegre Brasil. Dona Flor e seus dois maridos: indecidibilidades. Nem Eros nem Tânatus. Ordem e Desordem. Origem, Verdade e Metafísica. Corpo/ Corpus de Exu: substâncias, órgãos, funções, histórias, acontecimentos, movimentos, afetos, pulsões, sensações, inconsciente, consciente, referências, dissertações, teses, teses de teses, citações de citações, notas de rodapé. Imaginários de Exu: O outro é instância simbólica. Cultura e Imaginário. Suportes de Exu: fotografias, textos literários. Literatura exuriana de Jorge Amado, grande tocaia: dizer não, quando todos dizem sim uníssono. Poemas, filmes, música, esculturas. Exposição de Exu: Carybé, Mestre Manu, Mirabeau, Mário Cravo – Junior e Neto; Christian Cravo. Documentários. Memórias. Carnaval. Ex-periências: colocar Exu para fora, fora de si. Derrota de Exu: retirar Exu da rota. Inventar Exu. Exclusão, seleção, borradura, marcas, rastos, fantasmas, recalque, retorno, différance. Fundamentalismos. Histeria, perversão, paixão. Mal-estar de Exu. Contextos: terrenos, terreiros, encruzilhadas múltiplas do imaginário. Bricolagens, mestiçagem. Samba carioca, jazz norte americano, música: Bezerra da Silva, Bob Dylan, Bob Marley, Fela Kuti, Gilberto Gil, James Brown, Jimmy Hendrix, Racionais Mc´s, Tim Maia, Tupac Shakur. Axé de Exu. Exu é Axé. Quem é Exu? O que ―significa‖ Exu? O que significa ―Exu‖? Um multiplicado ao infinito. Um que é mais de um: deve haver mais de um. ―Um‖ quem/o quê? ―Infinito‖ quem/o quê? Quem ―possui‖ Exu? Quem assume tal responsabilidade? A quem endereçar tais perguntas (senão a Exu)? Como endereçar cartas a Exu, este mensageiro? O mensageiro e a mensagem. Cartas roubadas. Exu manipula as cartas: entrega e não entrega. Chamado à tese responde sem ―interposição‖? Quem assume a responsabilidade por falar em nome de Exu? Quem lhe deu este nome? A questão do nome. Nome, violência, alteridade. Tradução de Exu. Que língua restitui Exu? Que língua fala (para/sobre) Exu? Linguagem, língua, tradução. Pode Exu dizer ―eu‖ como em uma autobiografia? Texto, autobiografia, o im-possível. Exu, para onde? Por onde? Em que arquivo? Em que arkhé? O outro-Exu e as diabruras da mesmidade: o Ocidente, o Oriente, a Cruz da Salvação. Alteridades absolutas de Exu. Hospitalidade absoluta. Acontecimentos e experiências: macumbas, igrejas, memórias, encruzilhadas e becos de Salvador, Bahia. Bara. Lonan. Ojisé Ebó. Odara. Yangi. Elegbara. Tranca Ruas e Maria Padilha: Exu-homem em tempos des-humanos: o mais humano, pênis provocador. Zé Pelintra e Dona Maria Navalha. Pedro Archanjo e Tereza Batista, Quincas Berro D´água e Gabriela. Vadinho, Dona Flor, Doutor Teodoro: signo do três. Exu homem-mulher: mestres de saveiro, capitães da areia, jagunços, vagabundos, prostitutas, putas. Exu-persona: inocência e fantasia, entranhas de Jorge Amado fecundadas pelo pênis do povo, coração, miolos, tripas, culhões. Apropriações, ironia, deboche: Pomba-gira no Templo de Salomão, pedras importadas de Israel, acarajé de Jesus, atabaque de Jerusalém, Exu salva, Exu te ama. Exu-Edir Macedo, Exu-Glauber Rocha, Exu-Jorge Amado, ateu que viu milagres como eu. Exu-Silviano Santiago, democrático, dança, batuca, ri no entre-lugar, intervém, mistura, enfeitiça, embaraça, causa embaraço, sataniza a divisão entre o alto e o baixo, o sublime e o funk, o sagrado e o profano: casa grande na senzala e vice-versa. Disseminação e pluralidade: o Indecifrável. Encruzilhadas de Axé. Exu encruzilhado. Aporias. Axés de um Exu por vir, que é meu sendo do outro. Axé.

Francisco Renato de Souza

Título: Na trilha das recorrências da escrita de João Gilberto Noll

Orientador: Ana Maria Amorim de Alencar Páginas: 176



Esta tese analisa a escrita ficcional de João Gilberto Noll através de certos elementos discursivos percebidos por mim no decorrer do percurso literário deste escritor gaúcho, elementos estes que denomino de recorrências, a saber: a não-nomeação, a errância, o silêncio, a memória, a cidade e o sexo, dentre outras. A partir dessas recorrências que se desdobram em continuidade pela escrita de Noll, estabeleço um diálogo entre as suas narrativas, tendo como base teórica o pensamento sobre literatura do escritor francês Maurice Blanchot. Do diálogo proposto, constato que essas recorrências direcionam a escrita de Noll cada vez mais em direção a si própria, colocando em discussão a sua construção textual nos seguintes aspectos: a quebra da autoridade do autor, a instabilidade temporal e espacial da escrita; a impossibilidade da morte, entendida enquanto fim e objetividade; e a errância dos personagens, que, por sua vez, é o elemento propulsor das demais recorrências em destaque. Por fim, com esta tese, proponho um jogo de espelhos, no qual investigo as recorrências a fim de constatar um percurso que se dá em constante continuidade, em uma trilha incessante e interminável, a da escrita deslizante e ininterrupta de João Gilberto Noll.

Frederico Antunes de Oliveira Figueiredo

Título: Uma reentrada na forma: Cem dias sobre uma tradução inacabada do romance de estreia de Lukas Bärfuss

Orientador: Vera Lucia de Oliveira Lins Páginas: 344



Esta tese se propõe a apresentar ao público brasileiro, pela primeira vez, uma imagem do escritor suíço contemporâneo Lukas Bärfuss a partir de seu romance de estreia, Hundert Tage, publicado originalmente em 2008, na Alemanha. Seu marco teórico é esboçado a partir das refexões do próprio escritor, seus ensaios e sua obra de dramaturgia, com breves digressões de Teoria Literária sobre o húngaro Imre Kertész e a americana Ruth Klüger. Para aferir a consistência das teses sugeridas neste trabalho de apresentação, uma tradução experimental do romance, sob o título Cem dias, é inserida em anexo.

Janaína Laport Bêta

Título: Prospecções: Artes Visuais, História e Crítica no Vigorar do Poético

Orientador: Manuel Antônio de Castro Páginas: 210



Acreditamos seja a arte a porção mais humana do homem, constituindo sua essência tanto quanto a liberdade. Vivemos dias ensombrecidos, onde, em nome da arte, desde Marcel Duchamp, apresentam-se dispositivos conceituais que nos causam perplexidade. Uma fissura abissal se instala entre arte e obras. Obras ausentes de arte. Onde o homem se perdeu de si mesmo e da essência do criar? Neste estudo imbricam-se artes visuais e sua escrita nos descaminhos do contemporâneo. Na modernidade o homem embrenha-se pelos caminhos do desvelamento explorador, e, enveredandose pela técnica moderna desconecta-se da face originária da arte. Tudo passa a girar em torno da funcionalidade e dos fins. Proclama-se o fim da arte e o fim da história. Mas o que é o homem sem arte e história? O que é arte? O que é história? Tais questões nos conduzem ao pensamento originário de Martin Heidegger acerca das questões do sentido do ser e do vigorar do poético. Para compreendermos os descaminhos da produção artística em nosso tempo e da escrita que a acompanha, antes haveremos de nos interrogar a respeito do que seja arte. Do que seja homem. Do que seja a humanidade do homem. Haveremos de pensar a essência do agir humano, a que os gregos nomearam poiésis.

Mauricio Chamarelli Gutierrez

Título: Notas a um plano contemporâneo

Orientador: Alberto Pucheu Neto Páginas: 203



Este trabalho visa abrir o caminho para um leitura do contemporâneo e de sua poesia, marcadamente no Brasil, recusando, no entanto, qualquer figura de época ou sentido epocal preconcebido, bem como qualquer recorte geracional. Interessa-nos chegar a um desenho anacrônico, desde o qual o contemporâneo, de acordo com uma provocação de Giorgio Agamben, define-se menos por um corpus referente a um período histórico (a outro período da história) do que por uma relação de ressonância que é anterior a quaisquer de seus termos. A espacialização fundamental a toda ressonância – formulada a partir da escuta de um texto de Jean-Luc Nancy – nos leva, então, a postular a figura de um plano, aparentado ao plano de imanência que atravessa o projeto de Gilles Deleuze e Félix Guattari: um plano contemporâneo como um espaço de relações e de experimentação contínua do contemporâneo e da história. O plano assim concebido desmonta cronologias; comporta fluxos anacrônicos, provenientes dos mais diversos tempos, abrindo (e abrindo-se como) a possibilidade de uma escrita anacrônica da história – escrita que perseguimos, marcadamente nas provocações de Walter Benjamin. A partir de tal plano, pretendemos formular algumas perguntas sobre a relação do poema com o tempo, com seu tempo e sua história.

Marco Aurelio Reis

Título: O subúrbio feito letra: o cotidiano da periferia em crônicas ácidas e carnavalizadas

Orientador: Frederico Augusto Liberalli de Góes Páginas: 112



A presente pesquisa de tese tem como tema principal o estudo de uma tradição nas crônicas ambientadas no subúrbio do Rio de Janeiro. Nas obras de Lima Barreto, João Antônio e Léo Montenegro verificou-se que é grande a recorrência à crítica contra as condições de vida dessa região da cidade, merecendo, portanto, um estudo aprofundado. Foram feitas análises de crônicas dos três autores, nas quais se verificou que, em algumas delas, os elementos intertextuais, como referência e alusão, contribuem para crítica que os cronistas, ora de forma ácida e até brutal e ora de forma carnavalizada, imprimem em suas obras. Menos conhecido dos três, Léo Montenegro tem parte de sua obra resgatada.

Maria Clara da Silva Ramos Carneiro

Título: A metalinguagem em quadrinhos: estudo de Contre la bande dessinée de Jochen Gerner

Orientador: Ana Maria Amorim de Alencar Páginas: 281



Contre la bande dessinée, do autor francês Jochen Gerner, compõe-se de citações em torno das histórias em quadrinhos, às quais Gerner “responde” com desenhos. Em uma espécie de colagem de textos e imagens em justaposição, Gerner cria um efeito estético e epistemológico que demonstra seu posicionamento ético sobre os quadrinhos e sua crítica. É uma obra que coloca em jogo os próprios códigos que a constitui, em uma metalinguagem em quadrinhos recorrendo às práticas literárias e artísticas do acúmulo, do inventário, da assemblage e da citação. A presente tese analisa esse livro a partir de uma matriz teórica pós-estruturalista e contemporânea francesa.

Paraguassú Tavares Pereira Abrahão

Título: Percussão: toque de sentido

Orientador: Manuel Antônio de Castro e Marcia Sá Cavalcante Schuback Páginas: 232



A questão que se coloca com esta tese é, mais propriamente, um convite para a experiência de um toque que se diz como percussão. Como o próprio título sugere – Percussão: toque de sentido –, compreende-se aqui que toque é percussão e que percussão é toque. Há aí um jogo que revela a pluralidade da percussão. Observa-se, a partir desse jogo, o desdobramento de vários sentidos. Percussão é toque que ora diz respeito a quem toca os instrumentos, ora é toque que toca quem está aberto à escuta. Percussão é toque que traduz afeto, é sentido que orienta. Percussão como toque é fenômeno que, ao produzir um sentido poético, se dá como e pela linguagem marcando sua presença no mundo ao ser toque percussivo – que toca e é tocado, instaurando sentido, ou seja, toque. Com isso, pode-se observar que percussão é o que transcende a mera constituição instrumental. Ao ser toque de sentido ela não se restringe a um conjunto de instrumentos musicais, mas se instaura como possibilidade de a própria música ser e realizar-se como sentido poético. Percussão é experiência de mundo atravessada pelo afeto. É pensamento e criação que se dá em diálogo.

Raphaella Mendes Silva de Castro Lira Yaakoub

Título: Cartografia de um naufrágio: Reflexões sobre estilo tardio na literatura latino-americana

Orientador: Eduardo de Faria Coutinho Páginas: 219



Em um estudo comparativo de obras de autores latino-americanos, como Jorge Luis Borges, João Guimarães Rosa, Reinaldo Arenas e Roberto Bolaño, verificamos que todos eles apresentam, na fase mais avançada de suas carreiras literárias, certa mudança de estilo, que poderíamos designar, na esteira de Edward Said, de “estilo tardio”. Este conceito, proposto primeiramente por Theodor W. Adorno em um ensaio sobre a música de Beethoven, foi ampliado por Said, passando a significar a expressão encontrada por artistas que, ao serem confrontados com a finitude e o desaparecimento, trilharam uma rota lúcida de contrariedade e rebeldia. Mais do que a mera expressão do choque entre o ser e o seu fim, o “estilo tardio” é, assim, um complexo de elementos contraditórios que, resultante da consciência de um fim irremediável, exprime uma conexão entre biografia e expressão artística, e pode constituir-se como uma via de acesso à obra de autores que vivenciaram essa experiência. No caso específico da América Latina, cujos escritores acima mencionados constituem o corpus de nossa pesquisa, buscamos investigar em que medida o “estilo tardio” empregado por esses autores pôde manifestar, ao lado da consciência de um fim próximo, o confuso amálgama de realidades que constitui a América Latina.

Sheila de Almeida Machado

Título: Impetuosos coros profanadores, centrifugados ânimos incontinentes: uma perspectiva sobre erotismo, profanação, exílio e inexistência em Crônica da casa assassinada, Lavoura arcaica e O quieto animal da esquina

Orientador: Eduardo de Faria Coutinho Páginas: 219



Com fundamento na abordagem comparativa dos romances Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso; Lavoura arcaica, de Raduan Nassar; e O quieto animal da esquina; de João Gilberto Noll, a presente tese estabelece vínculo entre os eventos epigráficos de profanação, erotismo e exílio – em que os protagonistas de tais narrativas investem – e o seu subsequente colapso em termos de identidade. A flagrante aceleração da crise identitária contemplada neste trabalho é marcada por uma sucessão de perdas e espoliações, por meio de despejos físicos e metafísicos: os corpos são exilados das casas; as almas, exiladas dos corpos. Os dois níveis de exílio, concêntricos, contribuem para a diluição e o escoamento dos traços que formavam uma identidade já insegura dos sujeitos em questão, desde os pontos de partida dos romances. Os personagens aqui submetidos à acareação sofrem gradativa e intensificada desconstrução de sua identidade, até atingirem uma despersonificação traduzida em inexistência. As fissuras e a consequente derrocada da identidade dos protagonistas, confrontados neste estudo sob metodologia de base comparatista, acompanham a própria fissura no gênero romance, para a qual Lúcio Cardoso, Raduan Nassar e João Gilberto Noll contribuíram decisivamente, no âmbito da literatura brasileira. Os três escritores transgrediram a estrutura enunciativa, apaziguadora, representacional e moralizante da narrativa cristalizada ao longo do século XIX, e colaboraram para a instituição de um romance marcado pela errância discursiva e pela confluência de linguagens múltiplas, extrapolando larga e gradativamente a singularidade antes centralizada pelo estatuto do literário.

 

Teresa Andrea Florêncio da Cruz

Título: Intelectuais e vozes da guerra urbana: uma poética da narrativa mediada

Orientadora: João Camillo Penna Páginas: 264



Em um cenário no qual a “fala do crime” é responsável por uma inédita escalada do medo nas grandes cidades, especialmente a partir de fatos dramatizados na mídia popular, inscreve-se uma guerra de relatos que traz, de um lado, um discurso hegemônico sobre os infames, e, de outro, discursos mal-ditos (mal-falados) produzidos pelos próprios infames. Nesta pesquisa, objetiva-se estudar as representações da realidade nas obras de sujeitos que ocupam um entre-lugar no campo da produção simbólica, visando a estabelecer uma linha de coerência entre diferentes tendências observadas ao longo das três últimas décadas e, a partir daí, pensar três possibilidades de fala (ou de balbucios) dos infames. A proposta central desta pesquisa é desenvolver uma leitura do processo de autorrepresentação e do papel da mediação na produção recente, através do estudo de três obras que resultam das tensões estabelecidas entre as produções imagético-discursivas e a realidade do Rio de Janeiro no final do século XX e início do século XXI: Quatrocentos contra um (1991), Abusado (2003) e Elite da tropa (2006). Trata-se de um conjunto de obras que oferece um modelo para pensar – com base nas noções de subalterno, bárbaro, infame, dispositivo, estar lá, fala do crime, atitude textual, estado de exceção e metáforas da guerra, entre outras – a fala dos “planetas sem boca”, sujeitos que não escrevem a partir de nenhuma tradição literária, mas sim a partir da experiência e dos fragmentos de discursos jornalísticos, literários, legais, sociológicos e antropológicos que lhes chegam oriundos de diferentes arquivos. O trabalho visa a analisar três textos de produção recente que, mesmo sendo publicados por grandes editoras (Vozes, Record e Objetiva), foram escritos por autores que faziam suas primeiras incursões no mundo das letras. Investiga ainda de que maneira sujeitos infames puderam sair da invisibilidade de sua condição de vidas redundantes para projetar sua voz como autores (ou co-autores) de textos contemplados com publicação e ampla difusão no circuitos de produção simbólica. Nesse sentido, a leitura aqui proposta sugere um olhar para o resgate de memórias e experiências de três atores importantes do sistema de vigilância e controle: o criminoso (no caso, o traficante de drogas), o policial e prisioneiro. Considerando que em todas essas obras notamos, além da presença de linhas temáticas que se tornariam dominantes da literatura do presente, a importância do lugar de fala e da mediação, impôs-se nesta pesquisa a discussão sobre certos atores sociais que se identificaram no papel de mediadores e que atuaram de modo determinante no processo de construção de uma identidade subalterna, contribuindo para a transformação dessas autobiografias de infames em textos nos quais se destaca uma percepção da memória coletiva e do lugar dos refugos humanos na sociedade carioca.

 

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