Nesse período foram apresentadas 21 teses.

Teses de 2006

 
 

Adriana de Fátima Barbosa Araujo

Título: Migrantes nordestinos na literatura brasileira

Orientador: Eduardo de F. Coutinho Páginas: 192



Esta pesquisa é sobre os migrantes nordestinos que figuram como protagonistas em obras canônicas da literatura brasileira, mostrando como em sua trajetória, ao longo do século XX, eles passaram de tema a sujeito da narração. O corpus da pesquisa reúne Vidas secas, de Graciliano Ramos, Morte e vida Severina: auto de natal pernambucano, de João Cabral de Melo Neto, Essa terra e O cachorro e o lobo, de Antônio Torres, A hora da estrela, de Clarice Lispector e As mulheres de Tijucopapo, de Marilene Felinto. No primeiro capítulo, “Nação e região”, faz-se uma revisão da literatura regionalista brasileira para mostrar como a produção regional nordestina foi sempre encarada pela crítica por uma perspectiva preconceituosa. Os três capítulos seguintes consistem na análise do corpus e seu foco principal reside na investigação do estatuto do narrador e da natureza de seu discurso. No primeiro, estuda-se o êxodo da região rural e suas motivações e efeitos sobre os personagens; no segundo, as relações entre os migrantes e a cidade para onde eles se transferem; e, finalmente, no terceiro, a sua reconciliação com o seu local de origem. A análise aborda ainda a questão da classe social e a relação entre a cultura letrada e a oralidade. A conclusão revela que a passagem do migrante de tema a sujeito da narração na literatura brasileira é acompanhada de uma valorização cada vez maior do ponto de vista regional.

 

Ana Lúcia Lima da Costa

Título: Machado de Assis tradutor: o labirinto da representação

Orientador: Ronaldo Lima Lins Páginas: 200



Esta tese observa as relações de Machado de Assis com a tradução, que são abundantes, e de grande impulso na constituição do escritor e de sua obra. Será verificado tanto o Machado de Assis tradutor, através do exame de excertos de textos traduzidos de vários escritores de diversos gêneros e idiomas, como o Machado de Assis crítico e teórico, abordando as seguintes feições: a relação com a tradução, que ora atua como meio de modernização, ora como obstáculo ao aparecimento de talentos nacionais; a postura das literaturas periféricas e a recepção de modelos externos; a releitura da dependência cultural; a diluição de modelos exclusivos de referência; a revisão de conceitos de cópia, imitação e plágio; a relação entre tradução e processos criativos e a migração da tradução teatral para a ficção.
Para isso, situamos Machado de Assis no contexto teatral dos anos de 1850 e 1860 do século XIX, passamos por sua extensa produção jornalística, na qual se notabilizou como crítico teatral e folhetinista, detendo-se também na atividade de censor do Conservatório Dramático Brasileiro que o escritor exerceu por algum tempo.

 

Anderson Figueiredo Brandão

Título:O teatro desagradável de Nelson Rodrigues

Orientadora: Ronaldo Lima Lins Páginas: 255



No início de sua produção dramática, nos idos anos 40 do século XX, Nelson Falcão Rodrigues (1912-1980) escreveu a série de peças que ele denominou de “desagradáveis”: Album de família, Anjo negro, Senhora dos afogados e Dorotéia. Esses textos criavam uma imediata identificação dos leitores das tramas, pois os personagens habitavam os paradigmas da cultura brasileira. Muitas vezes horrorizado, aquele que assistia às encenações dessas peças, via esses personagens cometerem as mais sórdidas transgressões no palco, o que lhe causava o efeito “desagradável” de estar diante de espelhos retorcidos que, no início, foram límpidas identificações. Este ensaio procura desvendar os meandros dessas peças ao compará-las a determinados dados culturais de sua época de formação. Buscamos compreender que o desagradável não foi uma premissa de Nelson Rodrigues, mas que esteve presente em autores consagrados da literatura ocidental, como Emily Brontë, Charles Baudelaire, Marquês de Sade e Franz Kafka.

 

Anna Beatriz da Silveira Paula

Título:Margens silenciosas: a escritura da mulher na literatura indiana contemporânea

Orientadora: Helena Parente Cunha Páginas: 185



A proposta deste trabalho é analisar a representação literária e social da mulher indiana na contemporariedade de seu país, considerando a luta que essas mulheres desempenham contra cânones milenares na busca pelo reconhecimento de sua cidadania. Um recorte foi feito a partir da autoria de Arundhati Roy, na obra O deus das pequenas coisas que a evidencia como uma autêntica autora híbrida. O pós-colonialismo indiano é tratado por ela numa dimensão humana, o que contribui para uma visão ampla dos processos de transculturação ocorridos bem como para a compreensão da Índia contemporânea.

 

Ataíde José Mescolin Veloso

Título:Num copo de mar, o canto de Orfeu

Orientadora: Helena Parente Cunha Páginas: 258



Este trabalho é uma reflexão a respeito de algumas questões centrais no pensamento de Martin Heidegger: a hermenêutica, a linguagem, a obra de arte, o sagrado e a memória. Nessa experiência com o extraordinário, a poética de Jorge de Lima se constrói: é o canto de Orfeu que celebra o duplo domínio da vida e da morte.

 

Beny Ribeiro dos Santos

Título:Os conceitos de ficção e verdade em Platão, Nietzsche e Bernardo Carvalho

Orientadora: Eduardo de Faria Coutinho Páginas: 216



A tese apresenta um estudo comparativo dos conceitos de ficção e verdade presentes nos diálogos de Platão, nos aforismos de Nietzsche e nos romances de Bernardo Carvalho. A presunção enganosa da verdade substancial que subordina a ficção mimética à reprodução de um mundo previamente constituído é posta em questão através da crítica dirigida à natureza objetiva da pesquisa da verdade imutável na dialética platônica. A domesticação da ficção poética na teoria do conhecimento platônica é considerada sob uma variedade de pontos de vista que esclarecem o substrato metafísico do discurso filosófico quando desqualifica a precariedade da verdade múltipla e transitória. Se a teoria das idéias com seus arquétipos de formação do cidadão e da cidade tornou-se possível no interior da cultura que concedia um grande valor ao cosmo de ordem equilibrada, harmônica e perfeita, não é menos verdadeiro que a mudança dos fundamentos que constituem os paradigmas conceituais trouxe a efetiva possibilidade de se verem os conceitos de ficção e verdade como formas da evolução de idéias mutantes e conflitivas. A crítica nietzscheana à crença compulsiva na realidade do ser imutável, como também no critério de verdade da razão objetiva, serve de base fundamental à problematização da auto-suficiência da verdade que se considera imutável e uniforme. A suspeita que paira sobre a natureza de cada realidade ser realmente o que parece ser na narrativa de Bernardo Carvalho revela que o problema do fundamento da existência não é uma questão exclusiva de um campo específico do conhecimento. O esforço por se conservar no interior da tensão constitutiva da realidade faz com que a narrativa de Bernardo Carvalho recuse a evidência necessária do ser bem formado e explore um domínio em que falta determinação essencial à natureza da verdade para que se apresente como uma realidade completa. Platão, Nietzsche e Bernardo Carvalho protagonizam nesta tese uma reflexão abrangente sobre a natureza do verdadeiro e do ficcional como formas de conhecimento do mundo (in)determinado.

 

Danielle dos Santos Corpas

Título:O jagunço somos nós: visões do Brasil na crítica de Grande sertão: veredas

Orientador: Ronaldo Lima Lins Páginas: 272



Ao longo de cinqüenta anos, formou-se na fortuna crítica de Grande sertão: veredas um conjunto de estudos a respeito das relações entre a forma do romance de Guimarães Rosa e a história sociopolítica brasileira. Mesmo marcada pela descontinuidade que se fez regra em tantos âmbitos de debate no Brasil, a reflexão nesse campo adquiriu considerável consistência. De saída, no primeiro momento da recepção do livro, levou-se em conta o problema das distinções regionais. Logo depois, entre a segunda metade da década de 1960 e meados da seguinte, houve comentários que enfocaram questões de grande abrangência, que estavam na ordem do dia: tensões entre classes sociais, orquestração política numa república praticamente de castas, condição de país de terceiro mundo. Após o recrudescimento desse gênero de discussões que ocorreu no anos 1980, ensaios publicados a partir de 1994 voltaram a convocar, como dado relevante para a interpretação do texto literário, a possibilidade de correlação entre a experiência nacional e a configuração ficcional criada. Aí, já pesava muito sobre o juízo crítico a aura de obra-prima que se cristalizara em torno do relato de Riobaldo; e também a orientação geral do pensamento que incidia sobre a dinâmica literaturasociedade era outra, genérica: questões universais da modernidade, ou pósmodernidade. Mais recentemente, entre 1998 e 2004, a tentativa de solucionar a equação Grande sertão: Brasil ganhou fôlego em análises que procuraram articular conhecimentos acumulados a respeito da narrativa (desde 1956) e de diversos planos da formação brasileira (desde pelo menos a década de 1930). O estágio atual em que se encontra a crítica de Grande sertão: veredas chama atenção para a necessidade de se pensar o peso que têm, na especificação da homologia entre dados materiais e representação literária, as inclinações do intérprete.

 

Ercília Bittencourt Dantas

Título:Dialética do escuro e das luzes em Clarice Lispector

Orientador: Ronaldo Lima Lins Páginas: 244



Esta Tese analisa A maçã no escuro (1961), quarto romance de Clarice Lispector, à luz da Teoria Crítica da Escola de Frankfurt, especialmente da Dialética do esclarecimento (1947), de Theodor W. Adorno e Max Horkheimer. Segundo eles, a origem da calamidade hoje é uma tripla dominação: da natureza pelos seres humanos; dentro deles e, em ambas, a dominação de uns sobre outros. Afirmam que o mito já é esclarecimento e o esclarecimento reverte à mitologia. Nosso principal objetivo é provar que A maçã no escuro revigora o mito de Adão e Eva: a trajetória de Martim refaz simbolicamente a gênesis do mundo e do homem num percurso dialético que vai da culpa à expiação, da queda à salvação para alcançar a individuação e o esclarecimento. Nesse sentido, A maçã no escuro ultrapassa as fronteiras do Bildungsroman para tornar-se um moderno texto de iluminação.

 

Fabio Mario Iorio

Título:Rastros do cotidiano: futebol em versiprosa de Carlos Drummond de Andrade

Orientador: Beatriz Resende Páginas: 349



Rastros do cotidiano analisa a importância do futebol brasileiro nas crônicas jornalísticas de Carlos Drummond de Andrade publicadas no Correio da Manhã e no Jornal do Brasil durante 1954 até 1983 e reunidas na coletânea “Quando é dia de futebol “de 2002. Aborda o período de afirmação e supremacia da escola do futebol-arte brasileiro no âmbito internacional, enquanto resultado da participação étnica e social de grupos excluídos desde da profissionalização, dos anos 30, concomitantemente ao contexto republicano pós -1950, pressionado pela conjuntura internacional da guerra fria. As crônicas traçam a tensão entre o texto e o contexto, relacionando futebol e política, desdobrada em arte e mídia. Delimita a geração Maracanã até os anos 80, assinalando sua contribuição pelo discurso do oprimido.

 

Iolanda Cristina dos Santos

Título:O aprendizado do olhar na obra de João Guimarães Rosa

Páginas: 249

 

Irineu Eduardo Jones Corrêa

Título:Bernardo Guimarães e o paraíso obsceno: a floresta enfeitiçada e os corpos da luxúria no romantismo

Orientador: Luiz Edmundo Bouças Coutinho e Celina Maria Moreira de Mello Páginas: 247



Estudo sobre os poemas “Orgia dos duendes” (1865), “Elixir do pajé” e “A origem do mênstruo” (1875), de Bernardo Guimarães (1825-1884). O satanismo e a obscenidade que os textos convocam fazem deles obras estranhas ao paraíso poético, do romantismo literário nacional. O primeiro circula em antologias oficiais, mas os outros dois são marginalizados, surgindo apenas em publicações dedicadas a obras pornográficas e marginais. As análises dos poemas colocarão em perspectiva o contexto em que eles se constituíram, considerados os valores simbólicos vigentes na literatura brasileira, do tempo em que foram escritos e em diferentes momentos em que foram lidos. Serão experimentados conceitos como campo literário, grupo hegemônico, valor, habitus, lector propostos pela teoria do poder simbólico de Pierre Bourdieu. O texto do poeta será considerado enquanto produtividade e, portanto, de leitura condicionada a novas e constantes requalificações, conforme propuseram a teoria do texto de Roland Barthes e Julia Kristeva.

 

Jorge Lopes dos Santos

Título:Violência à flor da pele - vertentes e vontades: uma abordagem poética

Orientador: Edmundo Bouças Coutinho Páginas: 206



Este trabalho procura refletir, através da leitura de textos dramáticos, alguns tipos de violência manifestada num período compreendido dos anos 60 a 80 aproximadamente, quando uma série de modificações de ordem econômica, política e social vem refletir-se no plano da cultura, dentro do qual enfocamos a violência evidenciada nos textos teatrais como objeto de análise.Tenta-se abordar a repressão levada a cabo pelo regime militar que se instaurou no País, após o Golpe de 64.

 

José Carlos Pinheiro Prioste

Título:A unidade dual: (Manoel de Barros e a poesia)

Orientador: Ronaldo Lima Lins Páginas: 218



A poesia de Manoel de Barros destaca a palavra como invenção de um mundo no qual as oposições não constituem paradoxos, mas uma unidade complementar dos contrários. O conhecimento racional defende a separação entre o sentir e o pensar para estabelecer um método seguro e firme de uma avaliação exata da realidade e da verdade. A poesia prefere a contradição de um pensar em que os contrários, como clareza e obscuridade, se unam em uma integração indivisível. O pensar poético procura uma concepção diferente da análise linear e objetiva dos estudos literários. A linguagem deste outro pensar combina o imaginativo ao intuitivo como meio de apreensão de uma lógica próxima à condição originária do humano encoberta tanto pelo racionalismo calculador objetivo como pela linearidade objetiva.

 

José Eliseo de Barros

Título:O modernismo integralista nos romances "O esperado" e "O estrangeiro", de Plínio Salgado

Orientador: Ronaldo Lima Lins Páginas: 218



O objetivo desta Tese é estabelecida os limites e o caráter dos romances O Estrangeiro e O Esperado de Plínio Salgado onde o formalismo e o teleologismo se impõe de forma rigorosa: A modernização da forma e a permanência de um conteúdo reacionário, torna-se o aspecto central desta abordagem chegando ao que Bertolt Brecht caracterizar como formalismo.

 

Jositania Souza dos Santos

Título:Inveja Gula e Luxúria: pecados e desejos de um corpo camaleônico

Páginas: 221

O presente trabalho propõe-se a discutir a questão da corporeidade ao refletir sobre a relação de identidade e de alteridade perante a nova ordem corporal contemporânea. A partir de um breve roteiro histórico, o corpo emerge no momento atual potencializando a questão imagística do indivíduo em processos que incluem desde o padrão da boa forma até a body modification. Alternando-se entre o “eu” e o “outro”, o indivíduo incorpora sucessivas máscaras do cotidiano, que irrompem os domínios do corpo narrativo, subvertendo a própria escritura, a qual abre espaço para o dialogismo no texto literário tendo como base a intertextualidade, a ambigüidade e a pluralidade de sentidos, conceitos destacados pela teoria bakhtiniana. O discurso literário sinaliza na contemporaneidade para novas vertentes de subjetivação, abordadas de acordo com o viés teórico de Villaça & Góes. Convêm ainda ressaltar as considerações barthesianas acerca do corpo como signo de ruptura e prazer na estrutura ficcional. O estudo destas propostas de análise tem como base a leitura dos pecados capitais relativos à inveja, à gula e à luxúria, cujos respectivos temas servem de inspiração para as obras Mal secreto de Zuenir Ventura, O clube dos anjos de Luís Fernando Veríssimo e A casa dos budas ditosos de João Ubaldo Ribeiro, que mesmo lançadas sob a proposta de “best sellers”, não conseguiram evitar os desafios vindos do próprio interior da escrita, diminuindo os limites entre cultura erudita e cultura de massa.

 

Marcelo Diniz Martins

Título:O Elogio da Instabilidade – ensaio por uma semiologia do corpo

Páginas: 154

 

Marcos Francisco Pedrosa Sá Freire de Souza

Título:Inventário ilustrado e recepção crítica comentada dos escritos do anjo pornográfico

Orientador: Eduardo de Faria Coutinho Páginas: 237



Esforço de síntese sobre o inventário e a recepção crítica da obra de Nelson Rodrigues, esta Tese procede a uma avaliação de sua produção como repórter, dramaturgo, folhetinista, contista e cronista, destacando três pontos que exercem centralidade em sua escrita: o interesse por explorar discursivamente uma dimensão mítica em seus textos, o questionamento permanente sobre os limites entre fato e ficção e o gosto em trabalhar um pensamento que tem o paradoxo como matriz. Esses três aspectos são destacados através de análise das reportagens, peças, folhetins, contos, crônicas, em exame que discorre sobre a linguagem trabalhada no âmbito mais amplo do discurso e em detalhes formais na estrutura dos períodos, orações, frases e mesmo do repertório vocabular do texto nelsonrodrigueano. É nesse momento que encontramos um criador de narrativas ricas em sua diversidade de abordagem de temas recorrentes, um escritor com raro dom para o estabelecimento de imagens de efeito surpreendente, além de deflagrador de expressões e repertório lexical personalíssimos. Por trás de toda a discussão levada a efeito nesse longo ensaio, temos uma perspectiva que se ancora nos estudos em Literatura Comparada.

 

Maria Beatriz G. L. de Albernaz

Título:Paidéia poética na cidade sitiada: um estudo baseado em Clarice Lispector

Orientador: Manuel Antonio de CastroPáginas: 300



A leitura do romance “A cidade sitiada” de Clarice Lispector, assim como de outras duas obras da mesma autora: “A maçã no escuro” e “Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres” baseou-se na premissa da aprendizagem poética na cidade. No interrelacionamento das trajetórias dos personagens dessas três obras, foi possível perceber a originariedade do pensamento pelo exercício do olhar, o processo de cidadanização pelo “caminho do campo” e a descoberta da cidade como lugar de realização prazerosa de si-próprio. A interpretação foi aprofundada pela retomada de algumas questões levantadas por Martim Heidegger, principalmente a visão do pensamento enquanto poiesis, a percepção das coisas como um “nó de luta” das dimensões Terra e Mundo, e a possibilidade da linguagem des-velar a verdade de ser. O trabalho foi escrito de modo que suas partes possam ser lidas como ciclos, em aproximações sucessivas das obras: parte-se de um posicionamento em relação à educação, ao poder e às possibilidades do pensamento realizado na proximidade com as coisas; busca-se um despojamento do discurso com a desconstrução de conceitos tradicionais ligados à aprendizagem; destacam-se modos de perceber a poiesis na cidade; ensaia-se a identificação possível entre o urbano e o humano; e chega-se à participação da poética perceptível nas obras investigadas, pela escritura de poemas da cidade enquanto lugar de céu, de terra, de mortalidade e de mistério.

 

Monica Amim

Título:MABBINOGION: o maravilhoso e o utópico na construção da identidade galesa

Orientador: Eduardo de Faria CoutinhoPáginas: 208



A partir de uma reflexão sobre os elementos do maravilhoso e do utópico, presentes no conjunto das onze narrativas galesas denominadas Mabinogion, este trabalho tem como objetivo discutir quatro eixos temáticos relevantes que emergem da leitura dos textos. Assim, a importância do ato de narrar, as relações entre os poderes mágicos e o poder temporal, o papel da mulher e as linhagens, e as utopias medievais recriadas no texto são as linhas mestras para nossa reflexão. Em nosso percurso para abordar esses eixos temáticos procuramos oferecer – de modo a proporcionar ao leitor uma melhor compreensão das narrativas analisadas – um breve panorama da cultura celta e da literatura galesa medieval, um resumo dos principais aspectos do contexto sócio-político e cultural da Europa e do País de Gales entre os séculos XI e XIV e uma revisão das principais teorias e formulações (apresentadas por teóricos da literatura e por historiadores) sobre os elementos do maravilhoso e do utópico. Finalmente, ao procedermos à análise do tratamento dado nessas narrativas aos quatro eixos temáticos selecionados, procuramos refletir sobre a relevância do papel da narração na construção da identidade nacional galesa.

 

Perola Engellaum

Título:Samuel Rawet - a alma que sangra

Orientador: Eduardo de Faria CoutinhoPáginas: 104



Esta tese tem como um dos objetivos fazer renascer o interesse  pela leitura da obra de Samuel Rawet, cuja obra foi  em parte  republicada em finais de 2004 pela editora Civilização Brasileira. E despertar nos meios acadêmicos o desejo de melhor entendê­la.
Na primeira seção lançamos as diretrizes básicas que nortearão  nosso enfoque, do ponto de vista teórico , no qual tentamos combinar  sempre que possível, elementos histórico sociais da época em que  nosso escritor viveu  com as questões pertinentes da  expressão da  identidade judaica diaspórica na referida obra. 
No segundo capítulo abordamos a fortuna crítica de Rawet, que  não é vasta.
Na terceira seção apresentamos conjugação entre vida e obra.
Na  quarta seção apresentamos reflexões minuciosas sobre  a  novela Abama. 
Na quinta seção com o mesmo cuidado escrevemossobre Viagens de Ahasverus. É claro que estão presentes as necessáriasIntrodução, Conclusão  e Bibliografia. 
Apresentamos ainda um Anexo, que julgamos enriquecer a  compreensão das segunda e terceira seções

 

Vicente Marins Rangel Junior

Título:As artes do Daimon: à procura de uma poética perdida

Orientador: Antonio JardimPáginas: 423



A partir da hipótese da existência, no ser humano, de uma contraparte não-material que recebe a denominação de espírito (pneuma) ou alma (psyché), e da conseqüente pressuposição de sua sobrevivência à morte dos corpos densos – idéia fundamentada em antigas e modernas concepções filosóficas, científicas e religiosas formuladas pela humanidade – , o presente estudo visa a investigar a atuação desse elemento (também conhecido na cultura grega antiga sob o nome enigmático e polissêmico de daimon) na produção de obras de arte, quer no apelo ao “inconsciente” (entendido como repositório de conhecimentos localizados no psiquismo do próprio artista), quer na incidência de influências externas (oriundas de personalidades estranhas a este mesmo psiquismo). Tal atuação, que se presentifica na história da poiesis como inspiração, foi classificada em dois tipos principais: o endógeno, no primeiro caso, e o exógeno, no segundo. São reportados, no de-curso da arte ocidental, vários exemplos que atestam a ocorrência concreta do fenômeno inspirativo ou intuitivo no campo da gênese artística.
Em torno desta constatação, resultante da investigação empreendida, procede-se então a um protesto veemente contra a redução/compressão das dimensões da realidade – fato verificado na histórica e sistemática negação do fator espiritual na procedência das obras de arte – , seguido de uma provocadora sugestão de alargamento daquelas mesmas dimensões configurativas do real, a partir da possibilidade concreta de vigência de um outro nível de realidade, paralelo ao nível tangível, cujos contornos abrem novas possibilidades interpretativas do fenômeno “poiético”, entendido como fruto das relações entre os mecanismos psíquicos do artista criador e a correspondente praxis criativa.
Levantando elementos conceituais oriundos de sistemas espiritualistas de abordagem do real, mais especificamente o corpus doutrinário do Espiritismo, no qual se baseiam explicações e categorizações aqui presentes, o texto se dis-põe na interseção de disciplinas literárias, estéticas, filosóficas, psicológicas, científicas e religiosas, realizando na prática uma interdisciplinaridade cujo objetivo é o aclaramento de uma origem específica da obra de arte – o que nos permite considerá-lo, na medida em que propõe uma di-ferente descrição do processo criativo em sua proveniência imediata, um trabalho de caráter “genético”, no qual se estabelecem os fundamentos de uma vertente pneumática ou mediúnica na pro-dução de obras de arte.

 

Coordenação

Coordenadora: Profª. Flavia Trocoli

Vice-coordenador:Prof. Alberto Pucheu

Atendimento: Noêmia Costa
posciencialit@letras.ufrj.br

Contate-nos

O PPGCL tem sede no campus da Faculdade de Letras da UFRJ. Saiba nosso endereço clique aqui.

Endereço

Programa de Pós-graduação em Ciência da Literatura - PPGCL
Faculdade de Letras da UFRJ
Av. Horácio de Macedo, 2151
Sala F. 323
Cidade Universitária - CEP 21941-917
Rio de Janeiro - RJ

ATENDIMENTO AO PÚBLICO


Terça-feira e quinta-feira 9h às 13h

Quarta-feira 9h às 16h