Nesse período foram apresentadas 16 teses

Teses de 2007
 

Antonio Carlos Pereira Borba

Título: Heidegger e o Sagrado - Uma leitura budista


 

Celia Regina de Barros Mattos

Título: Dom Quixote à pro-cura da cura: uma leitura heideggeriana

Orientadora: Manuel Antonio de Castro Páginas: 419


Este trabalho apresenta a obra Dom Quixote de la Mancha sob a perspectiva poético-ontológica, dividida em três em périplos, ao modo de círculos hermenêuticos. Dom Quixote, o cavaleiro-filósofo, sai à pro-cura da Cura e, entre nascimento e morte, experimenta os existenciais fundamentais até o momento em que a conjugação angústia-morte inclui “poder-ser” pastor e poder morrer, no elenco de suas possibilidades essenciais. No epitáfio, no entanto, “La muerte no triunfó”. Desde então, passa por experiência originária; vira cavaleiro-hermeneuta; assume a missão de enfrentar a Essência da Técnica __ a face mais radical do pensar metafísico do Ocidente __, travestida de cavaleiro. A luta, há muito anunciada, é inevitável e, no apagamento da modernidade, o esquecimento do ser como destinação exige que Dom Quixote cumpra seu destino heróico e liberte o Ocidente do encantamento metafísico. Na clareira da pós-modernidade, tem lugar uma batalha singular: o cavaleiro-Quixote-vida, narrando-se em experienciar, dis-puta com o cavaleiro-Quixote-ficção o lugar de verdade e, no jogo desvelar-velar, o fidalgo-cavaleiro-filósofo-hermeneuta-pastor-poeta, ampliando infinitamente seu espectro de possibilidades, cumpre seu destino heróico. Dom Quixote vence como obra de arte.

 

Dilma Mesquita Loureiro

Título:Descepção e erro: caminhos críticos da contemporaneidade


 

Eduardo Guerreiro Brito Losso

Título:Teologia negativa e Theodor Adorno: a secularização da mística na arte moderna

Orientadora:João Camillo Barros de Oliveira Penna e Christoph Türcke (Universität Leipzig) Páginas: 343



A Tese analisa a relação da filosofia, especialmente a estética, de Adorno, com a teologia negativa e a mística. Essa relação não é de identificação nem de equivalência: Adorno resgata, com filtro crítico, a própria negatividade e a transformação secularizada da mística sem se ater a “relíquias teológicas”. Mas essa operação secularizadora descobre que a própria teologia negativa e a mística tradicional foram o efeito de um avanço emancipatório do esclarecimento. Desde o seu surgimento, e passando por diversas transformações históricas, a mística sempre esteve ligada a grandes questões existenciais da filosofia, além de apresentar relações intrínsecas com a experiência estética moderna. E é justamente para esta região que se encaminha o foco do trabalho: localizar a questão da teologia negativa e da mística na modernidade lá onde elas encontraram seu melhor refúgio profano: na obra de arte moderna; e pensar a maneira com que a teoria estética de Adorno contribui para entendermos o estatuto da negatividade teológica e da mística na arte moderna e contemporânea

 

Genilda Maria Souza e Silva

Título:Ascensão e morte do escritor João do Rio na utopia modernista do Rio de Janeiro

Orientador: Luiz Edmundo Bouças Coutinho Páginas: 234



O presente estudo aborda o exame da produção literária do autor Paulo Barreto (1881-1921), mais conhecido como João do Rio, pseudônimo com o qual marcou presença no início do período republicano, da dita Belle Époque carioca. Período político de profundas transformações nas estruturas urbana, intelectual e artística do país, a decantada Belle-Èpoque mudou a face do Rio de Janeiro em sua aparência geográfica, através das reformas urbanas, sanitárias e tecnológicas promovidas pelas reformas de Pereira Passos e inaugurou finalmente a inserção do país no processo de modernização. É a época também de transformações significativas no campo literário brasileiro, marcado por importantes manobras de autores nacionais, que buscavam legitimação naquele momento literário conhecido como o pré-modernismo brasileiro. Acompanhar a trajetória do autor João do Rio, que buscava afirmarse naquele singular cenário artístico e intelectual do pré-modernismo até sua morte precoce ocorrida às vésperas da revolução modernista é o que se quer aqui realizar. O estudo dedica-se ainda a elaboração de um aprofundamento crítico quanto aos recursos estilísticos utilizados por João do Rio na construção de sua enunciação literária, sobretudo buscou-se desvendar o significado da enigmática figura do raisonneur Barão de Belfort em suas diversificadas aparições em alguns exemplos mais representativos destacados da sua crônica, do seu conto, do romance e da sua obra dramática. Tais figurações compõem a polêmica persona que o próprio João do Rio forja do dândy tropical . Por sua atitude e identidade literária, pelo seu enunciado literário incompreendido por seus contemporâneos João do Rio atraiu muitos detratores e seu nome e sua obra, _ naquele momento histórico que a sociedade brasileira era ainda fortemente marcada pelas mazelas do preconceito de etnia e de sexualidade _ que tinha alcançado êxito meritório seria rapidamente esquecido. Esquecimento este que, felizmente, hoje é reparado pela revisão crítica mais recente, cujo presente trabalho visa contribuir.

 

Júnia Nogueira Neves

Título:Dramas da clausura: a literatura dramática de Lúcio Cardoso

Orientador: André Luiz de Lima Bueno Páginas: 176



Esta Tese se debruça sobre quatro dramas de Lúcio Cardoso: O Escravo, A Corda de Prata, O Filho Pródigo e Angélica escritos e encenados entre 1937 e 1950. Para compreender a singularidade do universo estranho e violento de Lúcio Cardoso, as análises levam em consideração as transformações sociais ocorridas no Brasil naqueles anos e o projeto artístico do Autor. Por esta razão, associa os elementos dramáticos ao universo romanesco do escritor composto por suas novelas e romances. Considera, ainda, a situação do Teatro no Brasil tanto no que diz respeito à trajetória das peças que não procuravam cativar o público apenas através do riso – o chamado “teatro sério” – quanto os espetáculos mais significativos das décadas de 30 e 40 no Rio de Janeiro que antecederam a estréia de Lúcio Cardoso nos palcos. O estudo privilegia o texto dramático cardosiano e não leva em conta aspectos do espetáculo teatral, tais como cenário, figurinos e comportamento dos atores porque não há registros gravados dos espetáculos.

 

Laura Goulart Fonseca

Título:Nos labirintos da memória: a poética de Autran Dourado em Os sinos da agonia e ópera dos mortos

Orientador: Marcus Maia Páginas: 168



Trata-se de um estudo hermenêutico dos romances Os Sinos da Agonia e Ópera dos Mortos, de Autran Dourado. Pela interpretação original da tragédia grega e do Barroco o autor constrói narrativas labirínticas, fundadas nas técnicas da narrativa em blocos e na da falsa pessoa. Questões fundamentais como destino, tempo, ser, memória, e o próprio fazer poético, são interpretadas. As regras rígidas de composição não destroem a inventividade das obras porque se comprometem com a verdade poética, que opera em tensão com a não-verdade. A tragédia grega como tensão entre limite e não-limite. O Barroco como movimento literário vivo, em diálogo fértil com a atualidade. Os Sinos da Agonia: os três pontos de vista de uma esma história e a questão da verdade. Ópera dos Mortos e a questão da memória.

 

Laura Ribeiro da Silveira

Título:NA narrativa historiográfica de Salústio: entre memória e ficção, o lugar indecidível do testemunho

Orientador: Henrique Fortuna Cairus Páginas: 171



A presente tese tem por objeto de estudo as relações entre história, memória, ficção, verdade e testemunho na narrativa historiográfica de Gaius Salústio Crispo, autor romano do século Ia.C., analisando-se, para tanto, as suas monografias De Coniuratione Catilinae e Bellum Iugurthinum, tomando-se os modelos gregos existentes, sua recepção no mundo romano e permanência na civilização ocidental, à luz de considerações teóricas transdisciplinares. O deslinde do texto salustiano se dá pela suspensão de fronteiras entre as áreas do conhecimento, sobretudo no terreno movediço entre história e literatura. Transita-se da Antigüidade Clássica à pós-modernidade na compreensão e contextualização de conceitos e categorias como verdade, tempo e memória, para surpreender os modos e estratégias de produção da história e da literatura em Salústio, pelo que elas engendram e refletem, tanto na crise republicana testemunhada pelo autor, quanto na sociedade brasileira do século XXI, apesar do arco temporal que a separa de Salústio.

 

Luiz Manoel da Silva Oliveira

Título:Subvertendo o legado de Caliban: perspectivas pós-coloniais de superação da subalternidade em um estudo comparativo de Jasmine, Bharati Mukherjee, e Alias Grace, de Margaret Atwood

Orientador: Peonia Viana Guedes (UERJ) Páginas: 262



O objetivo principal desta Tese é evidenciar a representação literária da superação da subalternidade e da conseqüente aquisição de agenciamento, voz e poder pelo sujeito póscolonial feminino, nos romances contemporâneos em língua inglesa Jasmine, de Bharati Mukherjee, e Alias Grace, de Margaret Atwood. Para atingir esta meta, optou-se pelas seguintes estratégias: a) considerar a personagem shakesperiana Caliban, de A Tempestade, como metáfora fundacional dos sujeitos colonizados representados literariamente, enfatizando o seu potencial de resistência à dominação do colonizador europeu, simbolizado por Próspero, através do aprendizado da língua inglesa; b) estabelecer relações intertextuais significativas entre obras literárias em inglês contendo representações dos colonizados com os romances estudados, para avaliar, sob uma ótica comparatista, a complexidade do processo de construção das identidades híbridas do sujeito subalterno, em geral, e em condição feminina, especificamente, assim como a sua liberação das características subalternas herdadas de Caliban; c) ressaltar o papel fundamental das Teorias Pós-Estruturalistas, do cruzamento das Teorias Feministas com as Teorias Pós-Coloniais, e da Desconstrução derrideana para o estudo do processo de formação de identidade das protagonistas dos romances em causa, focalizando em especial a correlação existente entre a fragmentação das narrativas dos romances e das personalidades de Jasmine e Grace Marks; e, por fim, d) sublinhar a relevância do domínio da língua inglesa para a emancipação do sujeito pós-colonial feminino. Embora tenha havido um diálogo com diversas correntes do pensamento, privilegiaram-se nesta tese, sobretudo no que diz respeito às questões da subjetividade, identidade e alteridade, as contribuições das Teorias Pós-Estruturalistas, das Teorias Pós-Coloniais, das Teorias Feministas e dos Estudos Culturais. Destacam-se, assim, as idéias e postulados teóricos de Roland Barthes, Jacques Derrida, Michel Foucault, Roberto Fernández Retamar, Bill Ashcroft, Gayatri Chakravorty Spivak, Homi K. Bhabha, Edward W. Said, Stuart Hall, JeanFrançois Lyotard, Fredric Jameson, Sarah Mills, Luce Irigaray, Leela Gandhi, Linda Hutcheon, Ania Loomba e Patricia Waugh, dentre outros.

 

Marcos de Carvalho

Título:Drama em movimento: a sinfonia de símbolos da poesia pessoana



 

Maria de Lourdes de Melo Pinto

Título:Memória de autoria feminina nas primeiras décadas do século XX: a emergência da obra periodística de Chrysanthème.

Orientador: Angélica Maria Santos Soares Páginas: 269



Esta tese tem por objetivo inventariar toda a produção cronística de Chrysanthème, pseudônimo de Cecilia Moncorvo Bandeira de Mello Rebello de Vasconcellos, publicada em A Imprensa, O Paiz, Correio Paulistano, O Mundo Literário, Única, Diário de Notícias, O Cruzeiro e Gazeta de Notícias, perfazendo um total de 1.530 escritos, considerando-se de suma importância, para os estudos literários, o resgate de obras de autoria feminina, que não tiveram visibilidade de sua crítica contemporânea. Apresenta as transformações da crônica dentro do universo literário e caracteriza o gênero, apontando estratégias que a tornem um possível exercício para o registro da memória feminina, com base em considerações de alguns teóricos que se debruçaram sobre a temática da memória. Tece ainda a leitura de crônicas de Chrysanthème, selecionadas entre o período de 1907 e 1948, voltadas para espelhos da condição feminina, indicações da crítica de costumes e imagens de contextos sócio-políticos.

 

Maria Luiza Franco Busse

Título:Então a China: uma análise semiológica dos romances Bombons chineses e complexo de Di



 

Nelson Luiz Romeiro da Silva

Título:A farsa sincera: o tragicômico na crônica rodrigueana

Orientador: Luiz Edmundo Bouças Coutinho Páginas: 168



A crônica de Nelson Rodrigues é, com certeza, uma presença literária que permite, à psicanálise extensiva, um instrumento fundamental de ilustração da arte e de sua função propriamente dita. Traz sua verdadeira lógica subversiva enquanto relação ao seu legítimo progresso. Sabe perfeitamente enquanto obra diferenciar moralidade, mentalidade e fetichismo. Tinha a percepção de que a genealogia da arte era mais importante que lhe estudar os efeitos sociais da mesma. Foi uma matriz fértil e invasora da cultura de massa, e soube como poucos enfatizar uma antropologia do kitsch do mercado modelo, o folhetim a novela a crônica o seriado e o romance policial.Compreendeu como poucos a nova e impositiva estética das mídias transitando nas estéticas intelectuais vigentes. Sempre antecipou no seu texto a diferença e a lei divina “não matarás”, sublimando no seu texto o constante e atual mal estar da civilização. Desvelou um Brasil inédito, pela sua novidade sublimatória. Revelou ao país o sans lê savoir. Introduziu nossa única lógica narcísica quando inventou nosso primário futebol, o de Garrincha e Pelé, deixávamos de ser feridos e passamos a fazer piadas. Soube como poucos diferenciar burrice da loucura. Talvez por isso tão paradoxal e tão significante. Uma humilhação de coragem alheia.

 

Nilton José dos Anjos de Oliveira

Título:Frei Luis de León: do cantar dos cantares refewrido a Jó

Orientador: Luiz Edmundo Bouças Coutinho Páginas: 225



Luis de León foi o mais importante tradutor da Universidade de Salamanca no século XVI. Dentre as obras que traduziu nos ocupamos neste trabalho, fundamentalmente, de seus comentários a dois livros veterotestamentários: o Cântico dos Cânticos e o Livro de Jó – os únicos livros bíblicos que ele traduziu por completo. A questão que permeou toda a tese foi: por que esses dois livros e não outros? Quais as relações possíveis entre eles? O primeiro, um canto nupcial, amores, o canto que se sobrepõe a todos os outros, o canto de amor; o segundo, o sofrimento do inocente transcrito em poéticos clamores, beirando o absurdo e a desdita. Poeticamente, nos ocupamos de certos ‘paralelismos’ temáticos que se insurgiam tanto num livro quanto no outro: a sombra, proximidade e distância, o toque, a esperança, os campos, fluxos e refluxos da vida. Além de alguns retóricos e poetas romanos, Luis de Léon foi influenciado por Agostinho de Hipona e são Jerônimo. Do mundo medieval, teve Petrarca como grande referência e, do moderno, Erasmo de Roterdã. Em função disso, nos ocupamos mais ou menos detidamente desses autores que supracitamos. Um outro viés relevante em nosso trabalho foi o de tentar compreender até que ponto a caridade pode se constituir em método interpretativo (da vida do texto e do texto da vida), já que esse é o cerne do livro da Doutrina Cristã de Agostinho.

 

Reheniglei Araújo Rehem

Título:hipertexto.com.literatura - o processo de criação em obras de Italo Calvino

Orientador: Luiz Edmundo Bouças Coutinho Páginas: 189


 

Esta pesquisa faz uma retomada histórica e dialética do conceito de hipertexto, apresentando-o como um corolário dos valores estéticos cultuados no último século; valores que propugnam a intertextualidade, a confusão entre os papéis do leitor e do autor, o texto escrevível e a obra aberta, tendo como objeto de análise os romances As cidades invisíveis, O castelo dos destinos cruzados e Se numa noite de inverno um viajante, do escritor italiano Italo Calvino. Esta análise discute como o conceito de hipertexto pode operar e estar presente no processo criativo em textos de papel que primam pela fragmentação, interconectividade, arquitetura labiríntica e interatividade com o leitor.

 

Samuel Sampaio Abrantes

Título:A representação do corpo feminino entre 1850 e 1925 - Uma leitura interdisciplinar - nas tramas da história da moda


 

 

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