Nesse período foram defendidas 14 teses.

Teses de 2008
 

Alessandra Garrido Sotero da Silva

Título: A Literatura infanto-juvenil engajada de Georgina Martins: a busca de novos valores diante da indiferença pós-moderna à exclusão social brasileira

Orientador: Helena Parente Cunha e Angélica Soares (coorientadora) Páginas: 159



Esta tese discute os problemas advindos com a Pós-modernidade e a consolidação do Capitalismo no mundo Ocidental e estuda o fazer literário em uma proposta ecológica enquanto fonte inesgotável de energia planetária, conseqüentemente como o espaço de conscientização de saídas humanitárias possíveis, nestes tempos de relações líquidas (BAUMAN). As obras literárias estudadas, de cunho infanto-juvenil são: No olho da rua: historinhas quase tristes (2002) e Uma Maré de desejos (2005), de Georgina Martins as quais, na nossa leitura, configuram a proposta mencionada. A relevância dessas obras citadas se dá, sobretudo, como energia (WILLIAN RUECKERT) formadora de mentalidades críticas no mundo pós-moderno, em que se percebe o silenciamento das massas, a exclusão social marginalizante, a indiferença ao outro, a alienação e a fragmentação do sujeito frente à manipulação midiática. Evidencia-se, nestes textos, o resgate das subjetividades da população marginalizada brasileira frente à massificação das mentalidades. Traçamos um breve histórico do foco exclusão social em algumas obras literárias infanto-juvenis editadas no Brasil e constatamos que as obras referidas de Georgina Martins não inauguram, mas contribuem para um novo gênero literário infanto-juvenil: engajado, sensível, belo e reflexivo. No olho da rua: historinhas quase tristes (2002) e Uma Maré de desejos (2005) educam sem dizer que estão educando, tornam o jovem ou a criança um ser mais sensível e mais receptivo ao bem sem se rotular religioso. Proporcionam a quem lê a fruição estética através da simplicidade e da sensibilidade com que desenvolvem suas causas, expõem a defesa do oprimido sem se tornarem panfletários. São obras capazes de suscitar no jovem mais alienado e indiferente a causa do outro, desmistificando a imagem de medo e terror institucionalizada pela mídia quando se trata de menores abandonados e moradores de favelas. Enfim, busca-se evidenciar, através das obras citadas, o poder utópico de um texto literário, que tratando-se de necessidade vital do ser humano, pode além do prazer estético, portar uma busca de valores mais igualitários, mais humanos, resgatando a proposta ecológica, em uma sociedade em que o capitalismo dita modelos de comportamento e a essência do ser humano é esmagada pelo poder do capital.

 

Alexander Meireles da Silva

Título: O admirável mundo novo da república velha: o nascimento da ficção científica brasileira no começo do século XX

Orientadora: Eduardo de F. Coutinho Páginas: 193



Este trabalho analisa a ascensão e a expressão da vertente romanesca da literatura fantástica conhecida como Ficção Científica dentro do cenário da Literatura Brasileira durante o período histórico da República Velha (1889-1930). Assim como ocorrera na Europa, as grandes questões dos períodos da Belle Époque e do entre guerras promoveram as condições para o surgimento da Ficção Científica no Brasil. Em nosso país, essa forma literária se apresentou através de duas vertentes: a primeira, ocorrida durante o período de 1898 a 1914, manifestou-se sob a forma da Ciência Gótica, e a segunda, restrita ao período do entre guerras, se expressou por meio da tradição da Literatura de Distopia. No Brasil, a Ciência Gótica surgiu como resposta ao longo processo de modernização pelo qual o país, e particularmente a cidade capital do Rio de Janeiro, passou. Coelho Neto e João do Rio foram dois dos escritores mais representativos da Ciência Gótica brasileira, e suas obras, marcadas por elementos simbolistas e decadentistas, refletiram o misto de fascinação e terror que a ciência e seus produtos causaram na mente do homem da virada do século XX. A Literatura de Distopia, por sua vez, refletiu os medos e as tensões sociais do período de entre guerras, marcado pelo debate sobre a relação do homem com a sociedade. No Brasil, essa literatura foi representada pelos romances distópicos de Gastão Cruls e Monteiro Lobato, em que se observa uma preocupação da parte das elites dirigentes com as teorias eugenistas da época e com a constituição miscigenada do povo brasileiro.

 

Andréia Penha DelMaschio

Título: A máquina de escrita (de) Chico Buarque

Orientador: Eduardo de Faria Coutinho Páginas: 218



Diferentemente da maior parte dos textos “sobre Chico Buarque”, dedicados a sua biografia, e dos muitos escritos acerca do conjunto das canções, esta tese se centra no estudo dos romances. Partindo da profusa onomástica bioficcional do escritorcompositor, esclarece de que modo o nome “Chico Buarque”, com sua constelação de variantes, vai além de um mero nome próprio ou nome de autor, deixando de remeter sempre a um mesmo e único referente, para designar antes um personagem, um anônimo, um ghost writer, um duplo e uma griffe. Se ao narrador de Estorvo falta um nome, condição em tudo compatível com sua cisão identitária e a deambulação sem destino que realiza em meio aos resquícios de utopias modernas, ao protagonista de Budapeste angustia a vivência de nome e personalidade duplos, desdobráveis depois em um coro de vozes, ao mesmo tempo em que o nome de autor “Chico Buarque” se recolhe, gradativamente, à condição de personagem, costurando perguntas sobre o emaranhado real-ficcional, a função autoral, os conceitos de aura, mito e obra. O aparato da engrenagem social que em ambos os textos conduz da riqueza à miséria e da fama ao anonimato também habita Benjamim, no qual sobressai a maquinalidade como modelo, opção que é simultaneamente causa e efeito de imobilidade e violência. Os três romances delineiam, conjuntamente, um panorama da atual sociedade capitalista, com seu contingente de refugos humanos e sua legião de teleguiados.

 

Antônio Máximo Ferraz

Título: Fernando Pessoa em obra: a teatralização da metafísica



 

Benjamin Rodrigues Ferreira Filho

Título: Comédia negra e outros assombros: política, história e guerra na ficção de Rubem Fonseca

Orientadora: Alberto Pucheu Neto Páginas: 201



Consideração da obra de Rubem Fonseca a partir da discussão da violência entendida como problema político. Seguindo-se as vertentes política, história e guerra, pretende-se discutir a violência, em qualquer nível ou escala, como uma manifestação política, que ocorre ao longo de todos os tempos históricos e configura as relações sociais como guerra. A violência representada na ficção de Rubem Fonseca tem diversas facetas, mas é situada como uma questão humana presente no contexto político global, durante todo o tempo histórico e cujos elementos são aqueles da “guerra de todos contra todos”.

 

Francisco C. Mucci

Título: Banalogias: uma leitura de Roland Barthes



 

Juliano Gaeschlin Alonso

Título: Memórias de Ariadne em Pablo Picasso e Julio Cortázar

Orientador: Eduardo F. Coutinho Páginas: 162



A tese tem como objetivo geral contemplar e discutir as virtudes dramáticas do Minotauro diversamente figurado por Pablo Picasso na década de 1930, e do Minotauro representado por Julio Cortázar no drama Los Reyes (1949), a partir da memória cultural de Ariadne, personagem que interage com o monstro nas obras do pintor e do escritor. Mais especificamente, pretende-se avaliar a relação erótica entre o Minotauro e Ariadne a partir da memória erótica de Ariadne, que, no âmbito do mito grego, remete ao herói Teseu e ao deus Dioniso (Baco). Tal avaliação será mediada pela análise de um conto de Jorge Luis Borges, “La casa de Asterión” (1949), que igualmente tematiza o Minotauro. O conto, embora não invista na mencionada relação erótica entre as personagens, favorece paralelos com a noção de memória nas obras de Platão e de Dante, autores que, por via da literatura, fomentaram a revisão crítica de padrões mentais e culturais, conferindo a seus escritos, de elevado vigor psicológico, uma singularidade própria. Em suas obras, a concepção e a manifestação do erotismo, que oscila entre a volúpia sensual e o desejo de conhecimento metafísico, ativa o exercício de uma memória que abrange aspectos de cunho histórico, poético e filosófico. Sob esse prisma, busca-se delinear e distinguir os amores de Teseu e Dioniso, no universo de um mito interpretado por miríades de poetas e artistas plásticos que, da Antigüidade ao Renascimento e à era Moderna, antecederam as produções de Pablo Picasso e Julio Cortázar.

 

Luciane Said

Título: No limite da cidade: a representação da realidade no documentário Notícias de um guerra particular



 

Luiz Henrique da Costa

Título: Vinícius de Moraes, Escritos sobre cinema



 

Madalena Aparecida Machado

Título: O homem da pós-modernidade: a literatura em reunião

Orientador: Ronaldo Lima Lins Páginas: 501



O estudo do homem na Pós-modernidade tomando por base o romance O homem duplicado, suscita abordagens variadas dada a complexidade temática. A pesquisa dialoga com as várias vertentes teóricas que se ocupam em compreender o humano e na dialética priorizamos o encontro e não a síntese. Vemos o personagem destituído de qualquer suporte referencial numa jornada de entendimento pessoal; no erro, a errância despista caminhos, oferece outros e nas múltiplas escolhas a maior delas é saber de si. Com sensibilidade diferenciada, o conhecimento por se fazer engloba ignorância, inexatidão e o imprevisível que o habitante da narrativa negava antes de ser abalado nas suas certezas. Olha no espelho e não se vê; se depara com o abismo sem vislumbre do outro lado, então mostra a humanidade característica do tempo em processo, dimensionada pelo vazio. O corpus literário de José Saramago bem como o duplo em vários outros escritores de diferentes épocas e estilos referendam nossas hipóteses de ver na ambigüidade do ser fictício, um retrato da figura humana na contemporaneidade.

 

Maria Isabella Bottino

Título: Proust e a leitura ou a infância da escrita

Orientadora:Luiz Edmundo Bouças Coutinho Páginas: 206



Esta Tese tem por objetivo estudar as relações entre a leitura e a escrita na obra do escritor francês Marcel Proust. Partindo do pressuposto de que A la recherche du temps perdu se elabora com a tensão surgida entre aquele que lê e aquele que pretende escrever, portanto diferenças entre o Narrador e seu leitor, o trabalho que ora se apresenta tem por intenção, entendendo a leitura como a infância da escrita, compreender a Recherche no âmbito de uma crítica amorosa empreendida pelo leitor Proust, no âmbito da infância como movimento construtor da vontade de escrever, bem como registrar a passagem que vai da leitura à escrita romanesca.

 

Maria José de Ladeira Garcia

Título: O percurso humano em busca de identidade pela memória na tríade ficcional de Oswaldo França Júnior

Orientador: Angélica Maria Santos Soares Páginas: 170



Nesta tese reflete-se sobre o percurso humano em busca de identidade pela memória, em diálogo com alguns aspectos que revelam a escritura de Oswaldo França Júnior em Aqui e em outros lugares, À procura dos motivos e No fundo das águas. Reconhece-se, na estrutura dessas narrativas, uma construção refinada pela reconstrução do passado e pelos processos de alternância e simultaneidade temporal. Considera-se que refletir sobre o agir dos personagens pressupõe vislumbrar a condição humana, quer na sua face gloriosa, quer na sua expressão frágil, onde o interdito é o agente externo que alimenta, por oposição, o desejo incontido da transgressão. Nos romances relacionados, a desconstrução / reconstrução da escritura se faz por encadeamento, encaixamento e alternância; a mise en abyme enriquece a ficção como realidade reflexiva, ao pactuar com a realidade que ela reflete; a alegoria é mais que um conceito retórico, pois desnuda uma visão de mundo, ao expor um pensamento sob forma figurada em que se representa algo para indicar outra coisa por uma relação de semelhança. A narrativa franciana apresenta traços da pós-modernidade por ousar afirmar o desejo e a impossibilidade da volta à origem perdida desde sempre e por revelar que o sentimento agudo do transitório não encontra mais sua razão na eternidade divina, porque a pós-modernidade é um palco isolado de um teatro profano onde a destruição vence sempre. Compreendese,francianamente, que a vida é costurada por labirintos nos quais os desajustes existenciais são contaminados por conflitos reveladores da consciência aguda da temporalidade e a da morte e que, portanto, cabe à arte, imprevisível e questionadora, ativar a sensibilidade e estimular a singularidade para que o homem chegue à sua essência.

 

Mônica Genelhu Fagundes

Título: Desastrada maquinaria do desejo: a Prosa do observatório de Julio Cortázar

Orientadora: Edson Rosa da Silva Páginas: 315



Escritura alegórica de uma máquina do mundo em que se aliam exercício estético e pensamento teórico, fabulação mítica e reflexão histórica, Prosa del observatorio consuma o que será, provavelmente, o princípio essencial da literatura de Julio Cortázar, e seu móvel: a aspiração utópica a uma reordenação do real que se realiza por meio de sua transfiguração em imagem. Partindo da leitura desse texto, que se revela, portanto, nuclear para a compreensão da poética de seu autor, nossa tese pretende estudar este trabalho da imagem – seus fundamentos, suas estratégias, seus efeitos e seu sentido – transitando entre os domínios do artístico, do filosófico e do político.

 

Cassiana Lima Cardoso

Título: O dia do juízo: ironia e tragédia nos infernos de Rosário Fusco

Orientadora: Vera Lins Páginas: 133



Este trabalho é uma leitura e uma interpretação da obra O Dia do Juízo, de Rosário Fusco, que busca demonstrar um possível diálogo do romance desse autor com as tradições irônica e trágica da literatura universal, questionando ainda os princípios da metafísica que nortearam o Homem ao longo de sua história e a moralidade de costumes que delinearam sua conduta.

 

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