Nesse período foram apresentadas 11 teses.

Teses de 2010
 

André Gonçalves Lopes

Título: O fragmento barthesiano: quando a inquietante filosofia procura uma nova linguagem dentro da dúbia poesia.

Orientadora: Antônio José Jardim e Castro Páginas: 366


Este trabalho, tripartido, trata da Fotografia a partir da visão de Roland Barthes transpassando-a com o conhecimento de outros do ramo da foto-edição; Escritura Curta e sua eficiente maneira de comunicar e curiosa forma de fazer Arte; terminando com Diário assunto muito usado na prática e ainda assim pouco pesquisado em teoria. Como objetivo secundário, pretendemos a partir do corpus observados e teoria estudada criar outras teorias, para que tais temas nunca terminem de dizer.

 

Antônio Carlos Alves da Silva

Título: O sentir como linguagem: mito-religião-cultura

Orientadora: Manuel Antônio de Castro Páginas: 201


 

A tese, essa con-junção, é uma reaproximação da intersecção e da referência inaugural, originária, existente entre mito, religião, cultura e linguagem. A releitura tenta trazer à cena as relações fundamentais próprias de todas essas conjecturas da história do ser do ente. Nesse percurso, ora elas são apreciadas pelo vigor de sua própria vigência inaugural e ainda presente, ora são consideradas pelas indisposições que a modernidade a elas conferiu ao longo do percurso do mundo ocidental e o seu pensar metafísico. A tentativa de tal interpretação é de buscar refazer o percurso ontológico que permanece contido em cada uma das quatro referências a partir da dimensão e do vigor do sentir, de modo que o senti(n)do se mostre como o ser sendo e se coloque como também instância originária do pensar e do ser como linguagem, congraçando physis, logos e alétheia no destino histórico da humanidade dessa terra

 

Bárbara Maia das Neves

Título:O ser, o não ser e muitas questões: estudando pestes e epidemias nas obras Doomsday bookm de Connie Willis, e Oryx e Crake, de Margaret Atwood

Orientador: Angélica Maria S. Soares Páginas: 164


O objetivo principal desta Tese é evidenciar a representação literária das doenças e epidemias e como estas por vezes são mais impactantes nos seus aspectos sociais e psicológicos do que na própria questão biológica em si; tudo com base nos romances contemporâneos em língua inglesa, Doomsday Book, de Connie Willis, e Oryx e Crake, de Margaret Atwood. Para atingir esta meta, optou-se pelas seguintes estratégias: a) considerar as personagens doentes das duas obras, e também de textos complementares, como metáforas dos problemas enfrentados pelos corpos doentes e sua busca por aceitação dentro de um dado grupo social; b) estabelecer relações intertextuais significativas entre obras literárias em inglês contendo representações dos corpos doentes com os romances estudados, para avaliar a complexidade do processo de abordagem sobre apocalipses, mortes e estados de destruição iminentes; c) ressaltar o papel da ficção científica, em especial das distopias, como gênero literário de importância, sendo um tipo de literatura de denúncia de pontos negativos de um dado ambiente/grupo que mereçam destaque na mente do leitor; e, por fim, d) destacar aspectos ecocríticos, ressaltando como a importância do meio ambiente vai além dos grupos de proteção animal e/ou ambiental, e como a ecologia também encontra seu lugar dentro do universo literário. Embora tenha havido um diálogo com diversas correntes do pensamento, privilegiaram-se nesta tese, sobretudo no que diz respeito às questões de saúde, doenças, papéis do leitor e do narrador, e de estudos ecológicos. Destacam-se, assim, as idéias e postulados teóricos de Félix Guattari, Michel Foucault, Theodor Adorno, Platão, Linda Hutcheon, John Clute, Peter Nicholls, Tzvetan Todorov, Charles Darwin, Susan Sontag, dentre outros.

 

Cícero César Sotero Batista

Título:O lugar dos galos de briga: Aldir Blanc e a década de 1970

Orientadora:Frederico Augusto Liberalli de Góes Páginas: 227



Este trabalho situa a produção da década de 1970 de Aldir Blanc. Do contexto em torno dos álbuns produzidos no período emerge a figura dos “galos de briga”, emblema da postura combativa da parceria entre João Bosco e Aldir Blanc. Nota-se um consciente discurso de oposição, tanto na audição dos LPs quanto nas declarações à imprensa, pautado pela questão do papel do artista na sociedade. Estavam em jogo não somente a oposição ao regime militar e o anseio pela redemocratização do país, mas também questões mais voltadas à classe dos músicos, tais como a luta pela arrecadação justa de direitos autorais e pela sindicalização dos compositores de música popular. Esta cartilha de princípios do papel do artista na sociedade com a qual a dupla norteava sua produção apontava que, ao lado do que cantar, havia a necessidade de entender para quem cantar, contra o que cantar e como receber de forma justa pelo que foi cantado.
Entretanto, a preocupação com o papel social do artista não era tão rígida a ponto de cercear a independência quanto ao uso de gêneros musicais. A opção da dupla por aqueles que fossem acentuadamente populares e urbanos se somava a outros gêneros musicais, formando um amplo leque de sonoridades que abrangia desde os considerados ultrapassados, como o bolero, até aqueles que incorporaram os recursos tecnológicos de estúdio, característica das produções do final da década de 1960 em diante. Este leque de sonoridades dava suporte às letras que radiografavam a realidade nacional do período com uma linguagem que podia ser tanto sério-metafórica quanto irônica ou debochada, mas sempre caracterizada pela consciência de oposição a um discurso oficial.
De suas crônicas no jornal Pasquim emerge também uma independência semelhante em relação a formas e temas em defesa de uma crítica independente que servisse de contraponto à modernização conservadora e à versão oficiosa da grande imprensa frente aos problemas nacionais da época, com um texto que transita entre a crônica de costumes e o conto humorístico, com a presença de uma linguagem coloquial e, por vezes, chula. Do ponto de vista temático, é forte a presença de tipos populares que povoam o cotidiano num testemunho da realidade social do período, além de uma visão predominantemente idílica da infância.

 

Cristiane Sampaio de Azevedo

Título:O sertão e sua desmedida: finitude e existência em Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa

Orientador: Alberto Pucheu Neto Páginas: 164



O sertão e sua desmedida é o tema do presente trabalho. Nele, buscamos nos aproximar do significado insólito, inabitual, do sertão no romance Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Nossa leitura visa, portanto, a partir da narrativa poética e metafísica do personagem e narrador Riobaldo, sentir e pensar o sertão enquanto uma realidade que extrapola o espaço físico e geográfico, que é sem fim, que é sempre outro sendo o mesmo, ou, como diria o narrador, que “está em toda parte”. Para tanto, partimos de uma reflexão em torno da proximidade existente na obra entre poesia e pensamento. Na fala de Riobaldo, repercute um tom poético e pensante que, guiado pela intuição, coloca o “lugar sertão” a todo instante em suspenso, dando origem, assim, ao caráter insólito do mesmo. Entendemos, nesse sentido, o sertão como uma experiência que, antes de tudo, não se mede e que redimensiona a existência, alargando suas bordas, suas margens, ao permitir que ela seja, em sua finitude, infinita a cada instante; ou que o sertão, a princípio, relacionado a um determinado lugar geográfico, possa ser “dentro da gente”, isto é, possibilite a travessia para o infinito, libertando, assim, o homem do peso da temporalidade, como desejava Guimarães Rosa.

 

Hudson dos Santos Barros

Título:O sagrado e o profano na autobiografia de santidade da Commedia

Orientador: João Camillo Penna e Andrea Lombardi



 

José Antônio Cavalcanti

Título:Deslimites da prosa ficcional em Hilda Hilst: uma leitura de "Fluxo", Estar sento. Ter sido, Tu não te moves de ti e A obscena senhora D

Orientador: Angélica Soares Páginas: 239



A presente investigação corresponde a um caminho de leitura da complexa prosa ficcional de Hilda Hilst, particularmente das narrativas “Fluxo”, Estar sendo. Ter sido, Tu não te moves de ti e A obscena senhora D. Busca-se analisar como a ficção de Hilda Hilst corresponde ao processo de “poesia em expansão”, entendida esta como um caminho de recuperação do inaugural da escrita que produz um texto em que se conjugam simultaneamente drama, poesia e pensamento. Analisa-se como são desregulados os mecanismos representacionais da narrativa pelo apagamento de fronteiras demarcatórias e de distinções genéricas mediante intensa exploração de recursos poéticos, reflexivos e metaficcionais. Investiga-se a deriva das personagens hilstianas num mundo atravessado pelo niilismo devido ao esfacelamento do absoluto, ao hiato entre o humano e o sagrado e ao desamparo do ser humano diante da morte e do incognoscível. O descentramento do sujeito e a indiscernibilidade de fronteiras no campo da criação literária são lidos como inscrição hilstiana no originário e no aberto da obra de arte.

 

Márcia Regina Xavier da Silva

Título:A travessia cega em torno do vazio: uma poética do desfocamento

Orientador: Alberto Pucheu Neto Páginas: 196



Este trabalho desenvolve algumas reflexões sobre a questão da alegoria do olhar vs. a metáfora da cegueira a partir do romance Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago. A novidade seria o debate que a prosa do século XX em diante oferece sobre o que é chamado de “travessia sobre o vazio”, ou seja, uma assunção da condição humana, reconhecendo que há o vazio como operacionalização do movimento de vida e como resto do desejo não acolhido na sua integridade. Logo, esta mesma literatura seria o lugar de trânsito do malestar, da falta, apontando e nomeando os “hiatos”.
O método utilizado é o da sociologia crítica da cultura, sempre iluminado pelo pensamento da psicanálise, na medida do necessário e do possível. Freud acentua que a civilização é necessária e imperfeita e o quanto haverá sempre um resto de insatisfação perante o mundo e o sujeito, que não poderá ser abolido. Por meio dessas metodologias, são analisados os processos de esvaziamento e questionamento das personagens, a fim de debater as ações humanas que são narradas, por intermédio de uma abordagem radical daquilo que se entende por olhar. Sobre a personagem da mulher do médico é centralizado o debate maior. Diante da necessidade que surge da própria natureza do objeto de estudo — o olhar —, participam do diálogo com o romance de Saramago três pinturas de Edward Hopper e o documentário “Janela da Alma”, de onde são retiradas observações e análises dos recursos plásticos da matéria fílmica e das telas que sustentam a tese.
Fechando o circuito, apresenta-se a teoria de uma poética do desfocamento, entendendo, grosso modo, tal prática literária como uma dissociação radical entre som (significante) e imagem (significado) numa intensificação de sentido.

 

Marcos Roma Santa

Título:A estetização da história: o nascimento da Ideia de Arte no Ocidente

Orientador: Luiz Edmundo Bouças Coutinho Páginas: 173



Esta tese tem por objetivo buscar as origens do conceito de arte, distinguindo os liames sociais, culturais e mentais que favoreceram a emergência de um novo modo de percepção das produções simbólicas, a partir do alvorecer do que se convencionou chamar de modernidade, com sua consolidação, e paradoxal crise, no século XIX. Claro está que a contextualização desse processo implica observar que o capitalismo em expansão na Europa, ao mesmo tempo em que aniquilou progressiva e lentamente as práticas artesanais, ensejou a valorização de determinadas linguagens artísticas que, embora nascidas da tradição popular, romperam com ela, em favor de uma sofisticada especialização, caracterizada, principalmente, pelo exercício de uma sensibilidade refinada, associada a um elevado padrão intelectual

 

Marcus Rogério Tavares Sampaio Salgado

Título:Vasos comunicantes: Os castelos de Huysmans Breton e Flavio de Carvalho

Orientador: Luiz Edmundo Bouças Coutinho



 

Marcos Roma Santa

Título:A estetização da história: o nascimento da Ideia de Arte no Ocidente

Orientador: Luiz Edmundo Bouças Coutinho Páginas: 173



Esta tese tem por objetivo buscar as origens do conceito de arte, distinguindo os liames sociais, culturais e mentais que favoreceram a emergência de um novo modo de percepção das produções simbólicas, a partir do alvorecer do que se convencionou chamar de modernidade, com sua consolidação, e paradoxal crise, no século XIX. Claro está que a contextualização desse processo implica observar que o capitalismo em expansão na Europa, ao mesmo tempo em que aniquilou progressiva e lentamente as práticas artesanais, ensejou a valorização de determinadas linguagens artísticas que, embora nascidas da tradição popular, romperam com ela, em favor de uma sofisticada especialização, caracterizada, principalmente, pelo exercício de uma sensibilidade refinada, associada a um elevado padrão intelectual

 

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