Neste ano foram defendidas 17 teses.

Útlima atualização 10/01/2017

 

Teses de 2013
 


Elisa Maria Soares Fernandes Vieira

Título: CONSTRUÇÃO E RUÍNA: o arcaico e o moderno no cinema de Pier Paolo Pasolini

Orientador: Prof. Dr. André Luiz de Lima Bueno Páginas:253



Estudo da fase inicial do cinema de Pier Paolo Pasolini, constituída pela Trilogia romana - Accattone, Mamma Roma e La ricotta -, e pelo filme Il Vangelo secondo Matteo. Os filmes são revistos como “chave de leitura” do presente, e objetiva-se examinar a renovação da forma como instrumento de luta e de oposição à realidade opressiva e como resistência atemporal do Poder que leva à construção e à ruína política, econômica e estética. Sintetiza-se na recusa anticapitalista a vitalidade necessária à ação renovadora. A análise imanente da forma dos filmes é realizada sob a ótica do projeto estético-crítico-político de Pasolini, considerando-se elementos próprios da escrita cinematográfica, referências figurativas, literárias, fílmicas e musicais e aspectos ideológicos. Para tratar de questões atemporais e universais, os filmes partem do subsolo da sociedade italiana – o subproletariado - ou de um tempo longínquo, genérico e mítico do passado. Poder, corpo, sacralização, destino, morte, fixação no passado e religiosidade são temas discutidos, no intuito de ressaltar a visão lúcida, coerente, profética e propositiva de Pasolini sobre a realidade. A renovação da linguagem, refinada e complexa, rompe com modelos e fórmulas para retratar a nova realidade urbana em contínua e acelerada transformação na Itália, contraditória e contrastante, dos anos 1960. Os conflitos gerados pelo processo de modernização e pelo avanço do capitalismo em meio à pobreza das periferias e à mentalidade conservadora, católica e racista são problematizados nos pontos de tensão entre o arcaico, a tradição e o moderno, o periférico e o central, o popular e o erudito.

 

Wilson José Flores Jr.

Título: AMBIVALÊNCIAS EM PASÁRGADA: A POESIA DE MANUEL BANDEIRA EM SUAS TENSÕES

Orientadora:Prof. Doutor André Bueno Páginas: 283



Esta tese procura analisar as tensões, a negatividade e os impasses constitutivos da lírica de Manuel Bandeira, sem deixar de considerar os momentos de alumbramento, numa tentativa de confrontar as ambivalências que repontam por toda essa poesia. O que se pretende é a discussão de um aspecto decisivo da produção bandeiriana que tem sido pouco explorado, por meio da análise detida de poemas, de considerações a respeito dos vínculos sociais do poeta, bem como do enfrentamento de diferentes perspectivas críticas, algumas das quais se encontram hoje esparsas e dispersas, relegadas a um segundo plano não ordenador dos estudos que se têm dedicado à poesia de Bandeira. A intenção não é a construção de um sistema explicativo: não é a sistematização o que se procura, mas o reconhecimento das arestas de uma obra densa em tensões que a partir de certo momento de sua recepção tornou-se excessivamente afável, delicada e conciliada.

 

Luciana Oliveira de Barros

Título: CONSTRUÇÃO E RUÍNA: o arcaico e o moderno no cinema de Pier Paolo Pasolini

Orientador: Profa Dra. Martha Alkimin de Araújo VieiraPáginas:323



O propósito desta tese é investigar as capacidades do texto autobiográfico de Maksim Górki, através da trilogia Infância, Ganhando meu pão e Minhas universidades. Propõe-se uma percepção mais aguçada de um movimento de ida ao encontro a uma versão de palavras próprias, de um “eu” particular, de uma mundividência única que ratifica e muitas vezes retifica a base histórica que no passado a circunscreveu. Retornando à escuta da fala em primeira pessoa de Górki, pretende-se entender a conciliação, no discurso autobiográfico, da atitude de não desistir do intrigante exercício do autoconhecimento diante da verdade apresentada pela história. Através de um questionamento sobre a possibilidade de reconhecer a frase e a imagem adequadas que se expressam em prosa, objetiva-se também traduzir o vivido que resiste às marcas do mal-estar causado em uma consciência cuja memória é a sua maior singularidade e a arte de ficcionalizá-la, o seu maior desafio.

 

José Eduardo Marques de Barros

Título: De rerum natura: a experiência do real na poesia contemporânea brasileira e francesa

Orientadora:Vera Lucia Oliveira Lins; Páginas: 192



A presente tese tem por objetivo estudar o conceito de real de Jacques Lacan em relação à poesia. Vai nos interessar sobremaneira a questão da poética, na medida em que vamos trabalhar a experiência do real na poesia contemporânea francesa e brasileira visando elucidar alguns aspectos do conceito. Iremos nos debruçar nos poemas de alguns escritores contemporâneos, entre eles, Christian Prigent, Jean-Marie Gleize, Sebastião Uchoa Leite e Régis Bonvicino visando construir uma nova abordagem crítica a partir da posição teórica do poeta e ensaísta Christian Prigent, que introduz o real como um operador poético possibilitando um avanço para o estudo da crítica literária.

 

Leandro Gama Junqueira

Título: Vida, caminho, verdade: poética do destino

Orientador: Professor Doutor Manuel Antônio de Castro Páginas:231



Procuramos desenvolver neste trabalho a tese de que vida, caminho e verdade se conjugam no que chamamos de poética do destino atrelando poesia e pensamento na confluência de manifestação do real. Tomamos como ponto de partida dois dos maiores poetas e pensadores do século XX: Carlos Drummond de Andrade e Martin Heidegger, dialogando também com outros poetas e pensadores da prosa e da poesia. Nosso objetivo é promover a interação entre o poetar pensante e o pensar poético e refletir sobre alguns princípios que norteiam o acontecer do destino na poética a partir do poema “A máquina do mundo”, de Drummond. Nosso caminho de reflexão partiu de alguns poemas de Drummond e ensaios de Heidegger que manifestavam o destino, vida, caminho e verdade como questões e não conceitos. As reflexões nos conduzem a um entendimento ontopoético de destino e da liberdade como caminho, distanciando tanto do determinismo como da predestinação. Assim, vida, caminho e verdade giram em torno de destino num circulo poético de manifestação de sentido trazendo à tona outras questões como: corpo, tempo, pensar, ausculta e silêncio, renuncia e oferta, morte, memória, amor, o nada, finitude e permanência, procura e encontro, arte e vida, sentidos e intuição, linguagem, mito e natureza, mistério e manifestação, travessia e trajetividade, limite e não-limite, o Belo, sólido e insólito, sentido, compreensão e significância, experienciação, aprendizagem e sabedoria.

 

Marta Ferreira Pimentel

Título: A LITERATURA NA FORMAÇÃO DOS JOVENS BRASILEIROS UM NOVO OLHAR PARA OS ESTUDOS LITERÁRIOS NO ENSINO MÉDIO

Orientadora:Prof. Doutor Eduardo F. CoutinhoPáginas: 175



Este trabalho teve a perspectiva de refletir acerca da Literatura Brasileira como disciplina do Ensino Médio. Com base em questionamentos, como “O que é ensinar literatura no Ensino Médio e como se ensina?”, “Qual a função da literatura na pósmodernidade e na formação dos jovens desse tempo?”, ele apresenta alternativas para corrigir inadequações conteudistas e metodológicas, em relação às expectativas dos jovens atuais e às demandas do mundo contemporâneo. O estudo estruturou-se em dois planos: um teórico, que desenvolveu pesquisa nas áreas da Teoria da Recepção, do Letramento, dos Estudos Culturais, Teoria Literária, Literatura Comparada e Historiografia; e outro, prático, que apresentou dez sugestões didáticas, que comprovam a viabilidade da tese nele defendida. Durante um longo período, o ensino da disciplina baseou-se na história literária do país, privilegiando as obras canônicas e as relações de causalidade entre elas e seu contexto de produção. Esse viés oscilou entre uma concepção colonialista, que valorizava o eurocentrismo, e um projeto nacionalista, em que as obras literárias eram documentos da trajetória histórica do país, ora com acento na política, ora com ênfase na construção da identidade nacional. De toda forma, era um estudo a serviço da compreensão histórica da nação e centrado muito mais no passado do que no presente. Para adequar o ensino às características de provisoriedade, contemporaneidade e pluralismo da sociedade pós-moderna, este trabalho propõe a inclusão da Literatura no campo da Cultura Brasileira, que passa a ter o status de disciplina. Dado o seu caráter de abrangência e atualidade, ao estabelecer diálogo entre diferentes setores sociais, entre experiências humanas e linguísticas diversas e de diferentes épocas, acredita-se que o estudo da cultura nacional seja o caminho para construir a cidadania brasileira e formar mentes críticas e livres, capazes de enfrentar os desafios da vida pós-moderna. É nessa perspectiva que se propõe um ensino baseado na prática permanente da leitura interdisciplinar e contextualizada, para desenvolver indivíduos leitores habilitados a ler o mundo em que vivem e a intervir nele. O trabalho não pretendeu chegar a conclusões definitivas, mas estimular a reflexão sobre tema tão desafiador e inesgotável, que é o ensino da Literatura Brasileira no Nível Médio.

 

Ana Tereza de Andrade

Título: EM CENA ABERTA: A INFILTRAÇÃO DO TRICKSTER NA COMÉDIA E NA VIDA

Orientador: Professora Doutora Emérita Helena Gomes Parente Cunha. Páginas:213



A escrita de cartas foi uma atividade constante para Cecília Meireles. Por seu caráter lacunar, fragmentário e de índice de afastamento físico as correspondências estão em afinidade com dimensões fundamentais da vida e da obra da poeta: distância e ausência. Assim, tomando as cartas por elemento importante na construção de sua obra, propomos uma leitura da poesia de Cecília Meireles em conjunto com algumas cartas que ela trocou entre 1930 e 1960 com amigos e escritores. Entre eles, Isabel do Prado, cuja correspondência apresenta uma espécie de diário de construção de o Romanceiro da Inconfidência, e com o poeta e intelectual mexicano Alfonso Reyes, um dos principais críticos e ensaístas da América Latina no século 20. A correspondência de Cecília pode ser tomada como espaço autobiográfico de exercício de construção ficcional e diálogos interculturais, o que contribuiu para uma dicção singular da poeta e acabou por colocá-la em um lugar excêntrico em relação aos seus contemporâneos modernistas. As cartas dirigidas à amiga Isabel do Prado, pesquisadas no acervo da Casa de Rui Barbosa, constituem material valioso para refletirmos sobre a relação entre autobiografia e poesia na obra de Cecília, na escrita das cartas como lugar de construção de sua obra, e na importância das redes de amizades entre escritores para o fortalecimento cultural de uma sociedade. Outro corpus de relevo é a correspondência com o poeta mexicano Alfonso Reyes, que se encontra no Museu Capilla Alfonsina, na Cidade do México. Neste caso, a importância explica-se por aí encontrarmos um dos pontos fortes da articulação político-estético- cultural empreendida pela autora, sobretudo no que se refere à Educação e à Cultura mexicana como parâmetros para as transformações sociais idealizadas por Cecília Meireles para o Brasil e às tentativas de diálogos entre o Brasil e a América Latina.

 

Diego de Figueiredo Braga Pereira

Título: A POÉTICA DA NARRATIVA: um estudo da obra de Ismail Kadaré

Orientadora:Prof. Dr. Manuel Antonio de CastroPáginas: 266



Abordagem hermenêutica da poética da narrativa de Ismail Kadaré a partir de oito de seus romances publicados em língua portuguesa, contendo uma elaboração propedêutica a respeito dos parâmetros teóricos que devem fundamentar a leitura de um autor contemporâneo, pressupostos estes que devem estar em correspondência ao próprio modo de composição e sentido da obra do autor em questão. A investigação o sobre a poética que marca as linhas centrais dos romances de Kadaré aqui estudados que conformam a poética da narrativa em questão atravessa quatro temas: a questão da imagem da sistematização opressiva da realidade; a questão da relação estabelecida nos romances entre história, memória e epopeia; o sentido que natureza e cultura ganham como mundo e terra no desenvolvimento em sua poética; como o destino dos personagens tal como se consuma nas formas do amor, da morte e da relação de amizade. Ao longo da tese, foi realizada também, uma discussão da fortuna crítica sobre a obra de Ismail Kadaré.

 

Marcio Fonseca Pereira

Título: Memórias do cárcere: Acordos e desacordos entre o intelectual e o político

Orientador: Prof. Dr. André Luiz de Lima Bueno Páginas:182



O presente ensaio tem por objetivo fazer uma análise literária da autobiografia Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos, tendo como ponto de partida a interpretação clássica de Antonio Candido em Ficção e confissão, cujo foco nos valores ético, testemunhal e artístico do relato influenciou boa parte da crítica subsequente. O propósito é mostrar um viés alternativo, porém não diametralmente oposto ao do crítico, levando em conta a visão de Graciliano sobre o fazer literário bem como sobre o papel do escritor na sociedade brasileira de sua época. De modo complementar, um estudo das contradições políticas do autor também fará parte do trabalho visto ser um elemento muito relevante na forma do texto. A análise dessa combinação peculiar de posições intelectuais e políticas terá por objetivo não só uma compreensão mais ampla da obra como também do escritor enquanto cidadão e intelectual inserido no debate político e cultural dos anos 30.

 

Cristiane Agnes Stolet Correia

Título: O UNIVERSO AUTOBIOGRÁFICO DO BUFÃO TRÁGICO DON MIGUEL DE UNAMUNO

Orientadora:Alberto Pucheu Páginas: 176



A presente tese busca adentrar a obra de Miguel de Unamuno em constante diálogo com diversos autores. A contemporaneidade unamuniana é pensada em sua condição de atualidade permanente não só a partir de declarações do autor, como também dos estudos de Agamben acerca do contemporâneo, da linguagem e da infância. Analisa-se a noção de literatura e de filosofia para Unamuno, sendo este introduzido pelo brasileiro Guimarães Rosa. Assim, questões que permeiam a obra unamuniana, como metafísica e paradoxo, são discutidas com Rosa. Busca-se posteriormente reapresentar a releitura unamuniana da tradição espanhola da vida como sonho e do mundo como teatro, passando pela diferenciação e união entre memória-recordação, diferença-repetição, relacionando-as ao próprio movimento da história-intrahistória, até indagações acerca do legado vanguardista e tradicional do autor hispânico. Para tais considerações, vários pensadores foram introduzidos na discussão, como Calderón de La Barca, Kierkegaard, Deleuze, Bürger, Eurípides, Octavio Paz e Sêneca. Investiga-se o sentimento trágico da vida, a angústia, o nonada e a religião, quando algumas declarações de Heidegger se somam ao debate. O sentimento cômico da vida foi outra questão analisada. Procura-se compreender então o que Don Miguel chama de bufonada trágica / tragedia bufa. Considerando a declaração do autor mesmo, que afirma serem todos seus personagens outros “eus” de si, lança-se a interpretar autobiograficamente sua obra, não sem antes pensar o que Unamuno entende por autobiografia. Por fim, o foco recai no processo educacional, onde a releitura unamuniana de Don Quijote de La Mancha direciona a interpretação do super-homem nietzscheano.

 

Mônica Farias de Souza

Título: IMAGENS DO JECA TATU E DO GAÚCHO PLATINO NA PRODUÇÃO LITERÁRIA DE MONTEIRO LOBATO, DOMINGO FAUSTINO SARMIENTO E RICARDO GÜIRALDES: UM PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADES BRASILEIRA E ARGENTIN

Orientadora:Eduardo de Faria Coutinho Páginas: 173



A presente tese de doutorado trata de um processo de construção da identidade nacional na Literatura Brasileira e Argentina, tendo como foco a figura do Jeca Tatu, criada por Monteiro Lobato, e do gaúcho, construída por Domingo Faustino Sarmiento e Ricardo Güiraldes. Focalizando dois momentos distintos, este estudo revela que, tanto no caso brasileiro quanto no argentino, o mestiço é visto por uma perspectiva diferente, e até oposta, em cada um desses momentos, e que esta alteração corresponde à que ocorreu com o tipo por ele representado, cuja visão se modificou de acordo com os interesses da elite dominante. No primeiro momento estudado, o discurso que a elite intelectual produziu para falar sobre o caboclo e o gaúcho tanto no Brasil quanto na Argentina se aproxima, e em ambos os casos o mestiço é mostrado por uma ótica negativa, sendo apresentado como preguiçoso e incapaz, e consequentemente responsável pelo atraso em que se encontrava o país; no segundo momento, ele é encarado por uma perspectiva positiva e louvado como produto da riqueza étnico-cultural do país. As duas imagens correspondem a duas políticas distintas adotadas pelos governos brasileiro e argentino em ocasiões diferentes: uma política de embranquecimento, caracterizada pelo estímulo à imigração da mão-de-obra estrangeira, de origem europeia, para o trabalho da lavoura, seriamente afetado pela abolição da escravatura, e uma política de valorização do elemento local para substituição do estrangeiro, que estava constituindo uma ameaça à segurança nacional com a realização de greves e a criação de sindicatos. Para fundamentar a perspectiva sócio-histórica adotada, a autora baseou-se em textos de estudiosos da Sociologia, da Antropologia e da História brasileira e argentina, além evidentemente dos estudos de Teoria Literária e de Literatura de ambos os países, e para a questão mais específica da identidade cultural e nacional serviu-se de textos como os de E. Hobsbawm, E. Renan, B. Anderson, E. Said e S. Hall. Foram também de utilidade os estudos que compõem a fortuna crítica de Monteiro Lobato, no caso brasileiro, como também de Domingo Faustino Sarmiento e de Ricardo Güiraldes, no caso argentino.

 

Cláudia Dias Sampaio

Título: Diálogos, afetos e pensamento lírico: a poesia de Cecília Meireles

Orientador: Profa. Doutora Vera Lucia de Oliveira Lins Páginas:212



A escrita de cartas foi uma atividade constante para Cecília Meireles. Por seu caráter lacunar, fragmentário e de índice de afastamento físico as correspondências estão em afinidade com dimensões fundamentais da vida e da obra da poeta: distância e ausência. Assim, tomando as cartas por elemento importante na construção de sua obra, propomos uma leitura da poesia de Cecília Meireles em conjunto com algumas cartas que ela trocou entre 1930 e 1960 com amigos e escritores. Entre eles, Isabel do Prado, cuja correspondência apresenta uma espécie de diário de construção de o Romanceiro da Inconfidência, e com o poeta e intelectual mexicano Alfonso Reyes, um dos principais críticos e ensaístas da América Latina no século 20. A correspondência de Cecília pode ser tomada como espaço autobiográfico de exercício de construção ficcional e diálogos interculturais, o que contribuiu para uma dicção singular da poeta e acabou por colocá-la em um lugar excêntrico em relação aos seus contemporâneos modernistas. As cartas dirigidas à amiga Isabel do Prado, pesquisadas no acervo da Casa de Rui Barbosa, constituem material valioso para refletirmos sobre a relação entre autobiografia e poesia na obra de Cecília, na escrita das cartas como lugar de construção de sua obra, e na importância das redes de amizades entre escritores para o fortalecimento cultural de uma sociedade. Outro corpus de relevo é a correspondência com o poeta mexicano Alfonso Reyes, que se encontra no Museu Capilla Alfonsina, na Cidade do México. Neste caso, a importância explica-se por aí encontrarmos um dos pontos fortes da articulação político-estético-cultural empreendida pela autora, sobretudo no que se refere à Educação e à Cultura mexicana como parâmetros para as transformações sociais idealizadas por Cecília Meireles para o Brasil e às tentativas de diálogos entre o Brasil e a América Latina

 

Priscila Saemi Matsunaga

Título: TRABALHO DO LATÃO

Orientadora:Profa. Dra. Eleonora Ziller Camenietzki Páginas: 228



Esta tese objetiva discutir o trabalho teatral desenvolvido pela Companhia do Latão, grupo paulistano formado em fins da década de 90. O estudo perpassa a produção dramatúrgica e cênica, bem como sua produção teórica, com o intuito de identificar o projeto estético forjado por um preciso projeto ideológico anticapitalista. Nesse sentido, debruça-se sobre a peça Ópera dos vivos, estreada na cidade do Rio de Janeiro em 2010. Pelo estudo desenvolvido compreende-se que a Companhia do Latão se insere, com alto grau de consciência da linguagem, nas contradições do presente, nas quais o pressuposto crítico problematiza, pela composição cênica, o campo representacional em que o capitalismo ideologicamente se projeta e constantemente se recompõe.

 

Ricardo Alexandre Rodrigues

Título: A poética de Arthur Bispo do Rosario: Compêndio de encantamentos do mundo

Orientador:Profª. Doutora Martha Alkimin de A. Vieira.Páginas:194



Esta Tese de Doutorado é constituída de estudos ensaiados a partir e sobre os arranjos engendrados por Arthur Bispo do Rosario, com enfoque especial naqueles cuja estrutura permite associações com o gênero lista, arquivo ou compêndio. Nesses arranjos, o impacto criado pela exposição do óbvio ou da aparência imediata dos objetos afeta o pensamento e o modo de ver. Por esse motivo, apostou-se numa proposição de leitura pelas vias do pensamento semiológico e poético, com o interesse de ampliar o repertório de reflexões a respeito da organização e composição dos trabalhos de Bispo do Rosário. Tendo em vista a natureza prosaica do material usado na composição dos arranjos e o fato de que Bispo nunca pretendeu um efeito artístico, a operação de leitura desta Tese retoma e atualiza o debate acerca das “iminências poéticas” ou “potências poéticas” percebidas nas formas de relacionar e forjar um nexo para aquilo que impressionou a percepção. Trata-se, por assim dizer, de um trabalho reflexivo nos horizontes poéticos da linguagem a respeito de um conjunto de imagens, cujo autor não reclamou nem autorizou o título de “arte”. Entretanto, como falar poeticamente de composições que não foram concebidas para figurar no plano artístico-poético? A escrita desta Tese traz, inevitavelmente, a marca desta tensão. Para administrar tais inquietações, investiu-se pensamento na criação de novas “categorias de análise” buscando explorar os aspectos poéticos dos trabalhos de Bispo do Rosário. A acepção de poético, nesse caso, faz referência às manifestações de linguagem que desguarnecem os limites do mundo e potencializam suas multiplicidades.

 

Ana Maria Bernardes de Andrade

Título: O QUEM DA ASTÚCIA EM TUTAMEIA

Orientadora:Prof. Doutor Manuel Antônio de CastroPáginas:203



Esta tese propõe uma leitura de Tutameia — Terceiras Estórias, último livro publicado em vida por João Guimarães Rosa (1967). A hipótese inicial é que a composição de Tutameia seja orientada pela astúcia poética. Nesse sentido, propõe um diálogo entre as Terceiras Estórias e os mitos gregos da astúcia – Métis, Atena, Hefesto, Hermes e Ulisses –, à luz do pensamento de Heidegger. Trata-se de uma obra ainda pouco estudada pela crítica, que a considera demasiadamente hermética. Neste livro, o autor se vale de todos os recursos disponíveis, da retórica à tipografia, para capturar em suas malhas o leitor e convocá-lo ao trabalho, árduo e prazeroso, de lê-lo, letra por letra. Tutameia coloca questões fundamentais para Guimarães Rosa, cuja obra transita na ambiguidade das regiões fronteiriças. Este estudo pretende vislumbrar na leitura deste livro o sentido da astúcia na travessia humana: a valorização de uma sabedoria que supere a megera cartesiana, que reaproxime a gente de uma essência esquecida. Astúcia poética é saber que tudo é e não é. O exercício hermenêutico de leitura do livro leva a uma nova leitura do mundo, sem verdades acabadas nem soluções definitivas: a busca não tem fim, pois sempre coloca uma nova questão. A astúcia deste livro está em justamente desvelar velando, iluminar sombreando, explicar confundindo. A cada nova investida, novos pontos são levantados, tornando mais complexa a visão que ele articula.

 

Wellington Augusto da Silva

Título: O desmanche em Inferno Provisório

Orientador: Luis Alberto Nogueira Alves Páginas:147



Este trabalho tem por objetivo analisar Inferno Provisório, do escritor brasileiro Luiz Ruffato. O estudo procura demonstrar a unidade dos cinco volumes, sob sua aparência fragmentada, relacionando essa organização às últimas transformações neoliberais. Esse ciclo de modernização configura o derrotismo programático, uma forma peculiar de realismo urbano e contemporâneo.

 

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Coordenadora: Profª. Flavia Trocoli

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