Neste período foram defendidas 6 teses.

João Tavares Bastos

Título: A última barricada do lirismo Baudelaire, Rimbaud e o poema em prosa

Orientador: Ronaldo Lima Lins Páginas: 275



A busca por novas formas expressivas caminha conjuntamente ao desenvolvimento da subjetividade e da gnosiologia. Em que medida o atrito ou disputa entre tais forças impulsiona e fornece novas feições ao belo constitui a principal linha investigativa da presente tese, na qual se busca discernir ainda uma possível resistência do lirismo frente à ascensão do uso da prosa e da hegemonia da racionalidade na modernidade.

 

Luiz Guilherme Ribeiro Barbosa

Título: Fala andarilha: a poesia de Leonardo Fróes em contexto crítico

Orientadora: Alberto Pucheu Neto Páginas: 127



Este trabalho apresenta uma interpretação da poesia de Leonardo Fróes a partir do contexto crítico da poesia contemporânea e a partir do contexto sociopolítico das décadas em que se desenvolve a sua obra. Embora Fróes seja, também, notável tradutor literário e ensaísta, a tese se debruça sobre a sua poesia, buscando acompanhar criticamente a trajetória que desenvolveu desde 1968, ano da publicação do livro de estreia, Língua franca, até 2015, com a publicação de Trilha. O ensaio faz dialogar alguns poemas representativos da obra com as noções de impertinência, testemunho e escrita dialética, e com a figura do forasteiro, configurando assim uma estratégia para a compreensão das relações entre poesia e democracia na obra de Leonardo Fróes.

 

Guilherme Belcastro de Almeida

Título:MURMÚRIOS ENTRE FANTASMAS: O QUE PODE RESTAR DE PEDRO PÁRAMO

Orientador:Flavia Trocoli Xavier da SilvaPáginas:102



Esse trabalho procura buscar os restos de Pedro Páramo, de Juan Rulfo, a partir de uma leitura cerrada que se desenvolve da obra. Parte-se de uma análise da morte, do luto e da ruína, três elementos fundamentais na construção da narrativa. Em seguida, a discussão passa pelo problema do lugar que assume a história no romance, para por fim trazer ao centro da análise as cenas de loucura e parricídio, associadas a um método da escrita rulfiana de corte, que gera um exército de ruínas e restos. A análise de outras obras literárias que colaboram com a discussão passa pela literatura contemporânea a Rulfo e à escrita desse trabalho. Também são de grande importância as leituras da obra fotográfica de Juan Rulfo

 

Hugo Langone Machado

Título:CHORAR POR DIDO É INÚTIL: SANTO AGOSTINHO, CONFISSÕES, LITERATURA

Orientadora:Professora Doutora Martha Alkimin de Araújo VieiraPáginas:167



De todos os motivos que fazem das Confessiones de Agostinho um dos clássicos incontestes do pensamento ocidental, um dos mais relevantes é a multiplicidade de temas humanos universais ali presentes. A relação do homem com a literatura e suas nuances (a ficção, a mentira, a beleza, o período histórico e cultural, os estímulos sensitivos...) é decerto um deles, e o objetivo deste trabalho consiste precisamente em explorar as muitas veredas que a obra desvela nesse âmbito. Para isso, volta-se antes a alguns momentos importantes da produção literária do santo, quais sejam: os diálogos travados com seus discípulos quando no otium filosófico de Cassicíaco, logo após sua conversão; e a obra De doctrina christiana, que nos apresenta um projeto cultural novo, que exige a reconsideração de todo o legado cultural clássico.

 

Thiago Castañon Loureiro

Título: Poesia: desafio ao pensamento

Orientador: Prof. Doutor João Camillo Barros de Oliveira Penna Páginas:466



O que permite chamar as obras de Safo, Arnault Daniel e Mallarmé igualmente de poemas? Trata-se do mesmo conceito de poesia quando referimos a “lírica” grega antiga (VIII-V a.C.), a lírica provençal e do dolce stil nuovo (XII-XIV d.C.) ou a poesia crítica moderna (XIX-XX d.C.)? Os fragmentos de mélica, iambo e elegia compostos na Grécia arcaica, já são poesia no sentido que chamamos as obras que nossos conceitos histórico-literários classificam como pertencentes a um mesmo gênero lírico? E a poesia concreta, ainda é poesia? A partir dessa problematização inicial, que propõe confrontar três configurações temporais distintas da categoria de poema (capítulo 1), a fim de delimitar o objeto da pesquisa, a parte central do estudo divide-se em duas seções: a primeira parte, sobre a noção de pessoa na Grécia antiga (capítulo 2), procura concretizar o eixo temático da relação entre poesia e paradigma do sujeito no horizonte da mélica grega, a partir da pré-história da categoria do “eu” no período arcaico, visando fornecer o pano de fundo para a reconsideração da relação entre mélica e mímēsis na segunda parte, concentrada no fragmento 31V de Safo (capítulo 3), tomado como um caso de “mímēsis da produção” (Costa Lima). A partir de uma série de traduções representativas de diversas épocas, a história de transmissão e interpretação do poema mais célebre da antiguidade coincide com a própria história do conceito de poesia, fornecendo um solo concreto para a exploração de uma hipótese: que a noção de performance, privilegiada pelo helenista contemporâneo, não é suficiente para distinguir o poema mélico se não for retificada pela indagação da mímesis

 

Leonardo Mendes Neves

Título:RITMOS PARA UM CORPO DE LEITOR

Orientador: Eduardo de Faria CoutinhoPáginas:190



Esta tese tem como objetivo estudar a crítica à cultura ocidental presente na obra Rayuela (O jogo da amarelinha), de Julio Cortázar, partindo de uma discussão sobre a relação entre literatura e verdade. Começamos por demonstrar que essas categorias desempenham papel análogo ao dos personagens da narrartiva, sobretudo se a forma de leitura escolhida for a do mosaico proposto no “tabuleiro de direção”, apresentado no início. O romance situa esses conceitos no centro da cena literária de modo a exercer o que ele acredita ser o objetivo da literatura: mobilizar os leitores e explorar as contradições presentes na instituição literária, que estabeleceu uma distância entre a literatura e a práxis, assim como entre o autor e o leitor. Para Cortázar, uma literatura consciente de si mesma implica o abandono dos traços que a caracterizavam como instituição; assim, em Rayuela ele nega a distinção entre forma e conteúdo – a base metafísica da estética ocidental – e mergulha na busca de uma literatura o menos estética possível. O leitor é identificado desse modo com o autor, e o texto resultante depende dele não só como consumidor, mas também como coparticipante, pois ele sente a mesma necessidade de escrever do autor e a compartilha com ele. No entanto, ao chamar atenção para esse aspecto, Cortázar traz à tona a diferença que marca os leitores ao destruir suas certezas, sua coerência, e consequentemente abala as estruturas sociais que sustentavam as instituições literárias.

 

Coordenação

Coordenadora: Profª. Flavia Trocoli

Vice-coordenador:Prof. Alberto Pucheu

Atendimento: Noêmia Costa
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