Discente: Leonardo Augusto Bora

Título da tese: Brasil, Brazil, Breazail: utopias antropofágicas de Rosa Magalhães

Orientador(a): Frederico Augusto Liberalli de Góes.

Co-Orientador: FLuiz Felipe Ferreira

Ano da defesa: 2018

Páginas: 342

Resumo:

Assumidamente experimental e transdisciplinar, a tese, espécie de diário de navegação, analisa a obra da carnavalesca Rosa Magalhães a partir de eixos temáticos extraídos da narrativa desenvolvida pela autora para o desfile de 2004 do Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, intitulada Breazail. O enredo (o texto escrito e a sua tradução em fantasias e alegorias, além do próprio samba de enredo) propõe reflexões sobre os usos simbólicos da cor vermelha e as origens do nome Brasil, enfocando a criação da primeira feitoria portuguesa nas Américas, fundada por Américo Vespúcio, entre 1503 e 1504, no território da atual Cabo Frio, litoral fluminense. Depois de carnavalizar tal episódio dos nossos “primeiros tempos”, a artista mergulha na prosa de Utopia, o livro-base de Thomas More, comparando a ilha dos utopianos ao cenário brasileiro. Trata-se de uma narrativa fundacional e utópica, que propõe diálogos interartísticos dos mais sofisticados (vide a presença de Bosch, Goya e Gaudí) e que viaja por diferentes localidades do globo (Europa continental, China, Irlanda, Brasil). Quando se estabelece um diálogo com as teorizações de Michel Foucault, graças à aproximação proposta por Alberto Pucheu ao analisar o poema Carnaval Carioca, de Mário de Andrade, é possível observar as dimensões heterotópicas e heterocrônicas do texto em questão. Do conceito de utopia desdobram-se os princípios das heterotopias, conforme o enunciado pelo filósofo francês. A fim de expandir a análise e compreender com maior profundidade o universo trabalhado pela autora, são extraídas de Breazail algumas chaves de leitura: os acordes utópicos (e distópicos) recorrentes; a presença de viagens e navios; o contraste entre os olhares estrangeiros e um senso de brasilidade (a tal “identidade nacional”) que se manifesta de diversos modos, das festas populares aos panelaços políticos; o sabor antropofágico, expansão e atualização das ideias defendidas na dissertação A Antropofagia de Rosa Magalhães, de 2014. Ao final, quando o último desfile por ela assinado recebe apontamentos críticos (sob as lentes do olhar dialético), defende-se que a carnavalesca pode ser considerada uma narradora do deslocamento, diaspórica, fronteiriça, cuja obra tenciona, direta ou indiretamente, a ampla temática dos estudos utópicos, redesenhando rotas e mapas no palco aberto da Marquês de Sapucaí; reprocessando e ressignificando, ano após ano, um universo simbólico dos mais inclusivos e interconectados.

Palavras-chave: Carnaval; Escola de Samba; Rosa Magalhães; Fantasias; Alegorias; Utopia; Heterotopia; Distopia; Antropofagia; Thomas More; Mário de Andrade; Oswald de Andrade; Michel Foucault; Olhar dialético; Diáspora; Ressignificação; Identidade nacional.

Abstract:

The thesis, a kind of navigational diary, analyzes the work of the carnival designer Rosa Magalhães, based on thematic axes extracted from the narrative developed by the author for the 2004 parade of the Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, entitled Breazail. The plot (the written text and its translation in costumes and “carnival floats”, as well as the samba itself) proposes reflections on the symbolic uses of the red color and the origins of the name Brazil, focusing on the creation of the first Portuguese factory in the Americas, founded by Américo Vespuccio, between 1503 and 1504, in the territory of the current Cabo Frio, coastline of Rio de Janeiro. After carnavalizing this episode of brazilian "early times", the artist immerses herself in the prose of Utopia, Thomas More's basic book, comparing the island of the Utopians to the Brazilian scene. It is a foundational and utopian narrative, which proposes the most sophisticated dialogues (the presence of Bosch, Goya and Gaudí confirmes this) and who travels from different parts of the globe (continental Europe, China, Ireland, Brazil). When a dialogue is established with Michel Foucault's theorizations, thanks to the approach proposed by Alberto Pucheu in analyzing the poem Carnaval Carioca, by Mário de Andrade, it is possible to observe the heterotopic and heterocronic dimensions of the text in question. From the concept of utopia unfold the principles of heterotopias, as stated by the French philosopher. In order to expand the analysis and to understand in greater depth the universe worked by the author, some keys of reading are extracted from Breazail: the recurrent utopian (and distopian) chords; the presence of trips and ships; the contrast between the foreign glances and a sense of Brazilianness (the "national identity") that manifests itself in various ways, from popular festivals to political protests; the anthropophagic flavor, expansion and updating of the ideas defended in 2014 Rosa Magalhães's Anthropophagy. At the end, when the last parade she signs receives critical notes (under the lens of the dialectic view), it is defended that Rosa Magalhães can be considered a narrator of displacement; a traveling artist whose work intends, directly or indirectly, the broad theme of Utopian studies, redesigning routes and maps at the Marquês de Sapucaí Avenue, reprocessing and restating, year after year, a symbolic universe of the most inclusive and interconnected.

Keywords: Carnival; Samba school; Rosa Magalhães; Costumes; Carnival floats; Utopia; Heterotopia; Dystopia; Anthropophagy; Thomas More; Mário de Andrade; Oswald de Andrade; Michel Foucault; Dialectical view; Diaspora; Ressignification; National identity.

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