Discente: Simone Lima Brantes

Título da tese: Kafka poeta trágico. Uma entrada para A construção

Orientador(a): Alberto Pucheu Neto

Ano da defesa: 2018

Páginas: 210

Resumo:

Os quatro primeiros capítulos dessa tese correspondem a um longo percurso para chegar à análise da novela de Kafka, “A Construção”, escrita nos últimos meses que antecederam a sua morte em 1924. Ele tem como ponto de partida a análise de uma outra construção, habitada pelo personagem da novela Memórias do subsolo, daquele que Kafka considerava um “consanguíneo”, Dostoiévski. A análise do primeiro livro de Kafka, Contemplação, que vem a seguir no segundo capítulo, começa a estabelecer aproximações e diferenças a partir da compreensão da literatura de Kafka como tentativa de conquista de autonomia de um sujeito que se percebe sempre acossado por um outro aniquilador. A literatura, em sua potência negativa (como forma), aparece sempre como a construção capaz de abrigar aquele, que marcado por determinações opostas, é destituído de mundo. Nos capítulos 3 e 4, a ausência de mundo aparece menos ligada às condições de existência de um sujeito específico e mais ligado ao próprio desdobramento da metafísica que não se distingue, na análise feita, das condições de existência em um mundo capitalista. Em contraposição à redução do mundo às engrenagens do tráfego sobre a ponte cujo ruído ensurdecedor abafa a voz humana que ainda é capaz de trazer à cena o amor, aparece de novo a literatura como o âmbito que acolhe outra vez como potência negativa (forma) o que se perde no plano do conteúdo: um mundo e a sua “quadratura”: terra, céu, deuses e homens. Por fim, seguindo uma citação de Theodor Adorno, segundo o qual Kafka segue uma “tendência iluminista que vai até Hegel e Marx”, retornamos ao nihilismo de Memórias do subsolo, como um limite atingido por essa mesma tradição; e chegamos por fim à novela “A construção”: à literatura como um campo em que se defronta a gratuidade, o começo lúdico, e o espírito de vingança.

Abstract

The analysis of Kafka’s novel, “The Burrow”, written in the last months preceding his death in 1924, results in the first four chapters of a long process that culminates the present thesis. As a starting point, the analysis of The Burrow was anteceded by that of the character in Notes from Underground of Dostoievski, whom kafka considered his "consanguineous". In the second chapter, the analysis of Kafka’s first book, Contemplation, begins to set similarities and differences from the understanding of Kafka’s literature as a subject’s own perception of his struggle to reach autonomy, when there is always a persecutor to a prey. Literature, in its negative power (regarding the form), works as the structure that enables sheltering to those, who influenced by opposing forces, are deprived of a world. In chapters 3 and 4, the lack of world is less related to the conditions of existence of a specific individual than to the revealing of metaphysics, that are not distinguishable from the conditions of existence in a capitalist world, according to the present analysis. Opposing the shrinkage, produced in a world, where the traffic noises over a bridge can muffle the human voice that is still capable of bringing forth love, literature is once again the vessel that shelters, as negative power (form), what is lost in the level of content: a world and its "fourfold": land, sky, gods and men. To conclude, as was put by Theodor Adorno, that considered kafka as a follower of an "illuminist trend that encompasses Hegel and Marx", we return to confront with the nihilist Notes from Underground, as a border reached by this same tradition; and then we get to the end of the novela "The Burrow": to literature as a field in which gratuity, the playful beginning, and the spirit of revenge encounter.

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