Neste período foram defendidas 5 dissertações.

Dissertações de 2013
 

Verônica de Araújo Costa

Título:Marina Tsvetáieva e a musicalidade do poema

Orientador: Eduardo Portella Páginas: 195



Pensar a musicalidade nos poemas de Marina Tsvetáieva é uma das possibilidades de interpretação da sua poética. Para tanto, os seus versos devem ressoar em nós no vigor deles mesmos e não como relatos vivências de uma poetisa que passou por grandes dificuldades durante o período da Rússia Soviética. Em constante diálogo com o seu tempo e com as questões inerentes à vida, Tsvetáieva mostra, em seus poemas, a urgência de repensarmos o sentido que damos à nossa existência através de um mosaico de imagens rítmico-plásticas, convidando-nos a pensar o mistério que somos. Sem considerar apenas questões de cunho político e social, que tanto caracterizaram os escritores soviéticos, esta dissertação é um convite para se pensar a essência da poesia em Marina Tsvetáieva a partir de uma coletânea de poemas traduzidos diretamente do idioma do russo e sua ressonância com a musicalidade.

Luciana Povoa de Almeida Silva

Título:Almas que vagueiam na estrada fria: alegorias da passagem em Pessach: a travessia

Orientador: João Camillo Penna Páginas: 104



A presente dissertação tem por objetivo investigar como o romance intitulado Pessach: a travessia, de Carlos Heitor Cony, pode ser entendida como uma alegoria da passagem em termos de transformação da individualidade de seu protagonista Paulo Simões – um judeu assimilado, caracterizado pelo esvaziamento de ideais e apatia política. Para tanto, buscar-se-á auxílio teórico em Walter Benjamin no que tange à questão da alegoria; em Georg Lukács, para que seja possível compreender o locus do protagonista no romance moderno; em Søren Kierkegaard, para se pensar a constituição do “si próprio” em seu processo reflexivo de individuação, e em Giorgio Agamben, com o objetivo de se realizar uma exegese no que diz respeito à constituição originária judaica do personagem Joaquim Goldberg Simon e a sua dupla condição de supertestis e terstis no decorrer do seu desenvolvimento individual. Igualmente, será abordada, de modo sucinto, a questão do “deslocamento” em sua perspectiva teórica elaborada por Elena Palmero González, James Clifford e Stuart Hall, para que seja possível compreender como é realizada a constituição deslocada do protagonista do romance a ser estudado em vias de recuperação de sua autorreflexividade.

Mônica Machado

Título: Alberto Mussa e a devoração da ordem

Orientador: Ronaldo Lima Lins Páginas: 184



A crítica dos dois contos de Alberto Mussa, “A primeira comunhão de Afonso Ribeiro” (in Elegbara, 1999, p. 7-24 e 2005, p. 13-36) e “A teoria aimoré” (in O movimento pendular, 2006, p. 161- 172), nesta dissertação, mantém em vista um sentido de devoração da ordem, do modo como essa devoração é subversiva e ao mesmo tempo criadora de uma ficção sobre fragmentos, conceitos e de uma articulação entre as instâncias do homem, da sociedade e do Estado. O argumento parte do reconhecimento de que o mundo como espaço histórico e físico continua em choque e ameaçado por catástrofes ambientais e fundamentalismos religiosos (como sintomas da desgraça) e de que o homem como ser social e máquina continua também a viver, embora esteja ameaçado por essa extinção do mundo, do ponto de vista ecológico, assim como pela extinção da história, da religião, das identidades e dos sentidos, do ponto de vista próprio ao humano. O grande problema é saber se de fato e de que modo a participação das negatividades afirmativas (proporcionadas pela devoração de uma ordem opressiva e hipócrita) interfere na compreensão desse pensamento mal conhecido como primitivo e selvagem, o das mitologias. Supondo que seja possível às privações tornarem-se características positivas, desde os canibais de Montaigne, da antropofagia oswaldiana, do perspectivismo ameríndio, da alegoria de Walter Benjamin, da prosopopeia de César Aira, dos conceitos de Deleuze, até o pensamento de Nietzsche e Lévi-Strauss, o pensamento que fundamenta essas narrativas pode também integrar a lista com seus muitos antecedentes, de homens desnecessarizados, não oprimidos nem subjugados pela natureza ou pela cultura.

Henrique Campos Monnerat

Título: A politização da arte e a estetização da política por que não? - O tropicalismo e o seu legado

Orientador: Ronaldo Lima Lins Páginas: 257



Esta dissertação debruça-se sobre o escólio da crítica da tropicália a fim de demonstrar como essa produção teórica dirige-se ao tempo presente como um aparato no qual a relação entre arte e política vem sendo paulatinamente negada. A análise, feita a partir das continuidades existentes dos anos 1960 até os dias atuais, propõe-se a inserir o legado de críticos e artistas relacionados ao tropicalismo dentro de uma reflexão que evidencie suas contradições no cenário político e econômico nas duas primeiras décadas deste século. Em um contexto marcado pelo mito do progresso (acentuado no Brasil pela proximidade dos megaeventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Rio de Janeiro), torna-se necessário um mapeamento teórico da manifestação tropicalista para evidenciar as contradições e as modas – como, por exemplo, a moda Walter Benjamin – que operam sua canonização e consagração, conferindo à tropicália uma espécie de aura de lucidez dos novos tempos. Este texto demonstra ainda a forma como, na trilha da lógica política da terceira via (orientada pelo aprofundamento da inexorabilidade do capital e pela perseguição aos movimentos sociais), o tropicalismo pode vir a se tornar uma referência para uma visão de cultura que, através da defesa de um discurso consensual de diversidade aliada à universalidade, procura dissociar a esfera estética da política e invalidar assim qualquer politização ou opinião que questione a ordem estabelecida.

Everardo Borges Cantarino

Título: Razões ocultas: representações do conservadorismo na composição vanguardista das Memórias sentimentais de João Miramar

Orientador: André Luiz de Lima Bueno Páginas: 154



Estudo do romance Memórias sentimentais de João Miramar, de Oswald de Andrade, em que são analisados aspectos estéticos e ideológicos, postos em movimento e relacionados. A renovação da linguagem literária apresentada nesse romance rompe com as fórmulas acadêmicas, para tratar de uma realidade urbana em transformação no início do século XX, em São Paulo, em que convivem os avanços da modernidade e a mentalidade conservadora de um passado rural oligárquico de raízes escravistas. João Miramar é o autor ficcional do livro, o narrador e o protagonista que encarna essa dicotomia, já que a composição de seu texto é vanguardista, mas como integrante da classe de cafeicultores, se insere no conservadorismo dessa elite que na cidade se instala, na formação da burguesia urbana no Brasil. A análise das técnicas empregadas pelo escritor ficcional João Miramar na escrita de suas Memórias foi a estratégia que possibilitou uma melhor compreensão do enredo. Cabe à recepção do texto realizar dois níveis de leitura que são complementares: uma “vertical”, em que cada episódio contém uma experiência completa relembrada por Miramar, e uma “horizontal”, na qual a recepção faz uma montagem juntando episódios a partir de estruturas temáticas ou linguísticas. Dessa forma é possível perceber níveis de consciência e atitudes críticas de Miramar ao longo do romance. Assim, através dos elementos do texto, esse estudo busca compreender a crítica à sociedade brasileira esboçada na obra.

Coordenação

Coordenadora: Profª. Flavia Trocoli

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Atendimento: Noêmia Costa
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