Neste período foram defendidas 7 dissertações.

Útlima atualização 10/01/2017

 

 

Daniel Moutinho Souza

Título: Mentiras sinceras: realidades e identidades nas metaficções A audácia dessa mulher e Cordilheira

Orientador: Eduardo de Faria Coutinho Páginas: 132



O homem criou a linguagem para falar sobre o mundo; a metalinguagem, para falar sobre a linguagem; e a ficção, para criar outros mundos. Quando estas duas últimas se reúnem, configurando a metaficção, um paradoxo se instaura, pois os limites entre a ficção e a realidade se confundem. Esse processo, observado desde a origem do romance como gênero narrativo, tem se intensificado com inovações nas estratégias metaficcionais na contemporaneidade, sobretudo na medida em que a filosofia da linguagem e a linguística passaram a considerar como fundamento da linguagem não a representação do mundo, mas sim a sua própria criação. Ao atribuir à linguagem cotidiana o mesmo caráter de criar realidade que possui a ficção, o paradoxo se aprofunda. Este trabalho tem como objetivo analisar e comparar a estrutura metaficcional de dois romances publicados recentemente no Brasil: A audácia dessa mulher, de Ana Maria Machado (1999), e Cordilheira, de Daniel Galera (2008). Ademais, ambas as obras tematizam relações de gênero e representações do feminino – a primeira delas escrita por uma mulher, a outra por um homem (mas com narradora feminina). Em vista disso, discute-se também como as identidades femininas são abordadas em cada um dos romances.

Eduardo de Almeida Santos

Título: A narrativa como dispositivo: a interferência da palavra na disputa da existência em certos territórios do Rio de Janeiro

Orientador: Beatriz Resende Páginas: 123



O presente trabalho trata das questões relativas principalmente dos dramaturgos de periferias e as relações estabelecidas em sua produção e vivência. Analisando historicamente as noções de comunidade, favela e território e obras e histórias do Teatro na Laje, Nós do Morro, Apalpe e Última Estação, tendo como foco a obra Oh Menino, deste último grupo.

João Guilherme Siqueira Paiva

Título: Drummond e a poesia do pós-guerra

Orientador: Ronaldo Lima Lins Páginas: 185



Esta dissertação tenta reconstruir o cenário da poesia no pósguerra para colocar em seu centro o livro Claro enigma (1951) de Carlos Drummond de Andrade. Poetas como Paul Celan, W. H. Auden, Francis Ponge e Czesław Miłosz são estudados sob a ótica de uma crise que teria se aberto, no estatuto da poesia do ocidente, a partir do novo modo de vida posterior a 1945. De um lado trabalharemos as origens dos problemas, que remontam ao século XIX. De outro, tudo aquilo que esta obra de Drummond implica sobre o seu próprio tempo e a trajetória do poeta.

Juliana Caetano da Cunha

Título: Paulo Leminski e a subversão poética

Orientador: Ronaldo Lima Linso Páginas: 182



Esta dissertação analisa a poética de Paulo Leminski; sobretudo, suas obras de poesia. Abordamos o trabalho do autor em relação à linguagem e a relação disto com a perspectiva modernista e o processo de transformação que a literatura e a arte de modo geral sofreram no século XX, quando os recursos expressivos e possibilidades estéticas foram levados a extremos, ganhando finalmente em diversidade, o que chamamos de “extensão das formas”. Fundamentamos nossa pesquisa em formulações apresentados por Barthes, Kosik, Valéry, Benjamin, Candido, entre outros, sempre discutindo literatura e sociedade dialeticamente. Leminski acaba por mostrar-se conjugador de subversão poética e social, imprimindo sua marca na literatura brasileira.

Pedro Alegre Pina Galvão

Título: A ética negativa: ensaio sobre o homem sem qualidades

Orientador: Ronaldo Lima Lins Páginas: 448



Esta dissertação parte do romance incompleto, O homem sem qualidades, de Robert Musil, para percorrer alguns temas da modernidade, de maneira que coloque em questão a condição de uma época na qual é possível a existência de um homem sem qualquer particularidade. Diante da personagem de Musil, pretende-se um ensaio que pense o percurso da época moderna em sua crise constante que levou ao declínio de todos os valores da civilização. O niilismo europeu culminou, no início do século XX, como uma crise política e social sem precedentes, da qual ainda não saímos. O que o homem sem qualidades nos revela do problema da época e o que nos aponta como solução são o objetivo desta dissertação. Todos os autores, textos e temas percorridos, como tentativa de situar uma exposição panorâmica, convergem para a ideia de uma “ética negativa”, que dá nome ao trabalho. Essa ética é a possibilidade a que, como uma aposta, se almeja entrever.

Renata de Souza Portella Oliveira

Título: Ficções (auto)biográficas: uma análise de Carcereiros e Memórias de um sobrevivente

Orientador: Marco Américo Lucchesi Páginas: 104



O presente trabalho discute a presença de processos de construção próprios da ficção na obra Carcereiros, de Drauzio Varella (2012) e Memórias de um sobrevivente, de Luiz Alberto Mendes (2001). Sua importância justifica-se pela abordagem de questões que envolvem os estudos da ficcionalidade, tais como a dicotomia real-ficcional, o estatuto de ficção e não ficção, bem como a classificação de gênero e a identidade entre autor, narrador e personagem em relatos memorialísticos. Discute-se, ao longo do texto, a presença de gêneros diversos nas obras, classificadas como autobiográficas, e a presença do ficcional, desde a utilização de recursos estilísticos, passando pela multiplicidade do sujeito, até chegar a questões que envolvem a figura autor. A partir do corpus da investigação, objetiva-se analisar as peculiaridades do texto ficcional (erroneamente tomado como falso, mentiroso, inventivo) e dos textos memorialísticos, de estatuto não ficcional (em geral, associado à verdade, à realidade, à exatidão), para verificar em que medida realidade e ficção não só dialogam, mas coexistem e se confundem na diferentes esferas da ação humana, inclusive na narrativa. A pesquisa é fundamentada sobre um quadro teórico que busca a interface entre abordagens enunciativas e discursivas e da Teoria da Literatura. A postura metodológica deriva da interdisciplinaridade do tema e da riqueza que essas linguagens podem trazer à análise do corpus.

Simone Silva de Paula

Título: Cidade fera: quem poderá olhar-te nos olhos?

Orientador: A Beatriz Vieira de Resende Páginas: 85



O trabalho propõe um diálogo com os corpus literários Eles eram muitos cavalos (2013) e Domingos sem Deus (2011), escritos por Luiz Ruffato, intérprete da Literatura Brasileira do presente século. Nas narrativas encontramos cidades como Rodeiro, São Paulo, Rio de Janeiro e Cataguases. No entanto, não utilizei como estratégia a abordagem clássica da representação das cidades. E sim, pensar tais espaços enquanto ocupação ficcional multiperspectiva da memória. Uma vez que reconhecemos nestes espaços os múltiplos sentidos, adotei como hipótese norteadora da pesquisa, não apenas a representação de espaços locais, e sim, a imaginação dos vestígios da cidade fera: o consumo, a falta de esperança e o trágico pós-moderno.
A dissertação dialoga com os anônimos do romance Eles eram muitos cavalos e com os nomeados: Mirim, Guto, Carlos, Sandra, Dona Nica presentes em Domingos sem Deus. Estes, alcançados pelos pedaços das cidades, perdem-se de si mesmo e uns dos outros. Deparam-se com destinos diferentes dos sonhados nos primórdios de suas vidas. A visibilidade que tais personagens ganham na narrativa dialoga com a partilha do sensível, termo cunhado pelo filósofo Jacques Rancière.
Convido para o debate teórico outros pensadores como Beatriz Sarlo, Boris Groys, Massimo Canevacci, Michel Maffesoli, Nestor Canclini e Zigmunt Bauaman.

Coordenação

Coordenadora: Profª. Flavia Trocoli

Vice-coordenador:Prof. Alberto Pucheu

Atendimento: Noêmia Costa
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