Neste período foram defendidas 8 dissertações.

Útlima atualização 10/01/2017

 

 

Adonis Nóbrega da Silva

Título: A poesia de dentro da noite veloz

Orientador: Luis Alberto N. Alves Páginas: 78



Este trabalho busca entender o livro Dentro da noite veloz sublinhando a vocação pública e polêmica de Ferreira Gullar, que assinala uma combatividade sem a qual não se compreendem suas escolhas nem o seu desenvolvimento como artista. O ponto de partida para tanto foi o ensaio “Traduzir-se” de João Luiz Lafetá, cuja leitura é fundamental para o entendimento dos caminhos percorridos neste trabalho, pois sua abordagem influenciou boa parte da crítica subsequente e foi peça de constante diálogo ao longo deste texto. Como a tarefa crítica muitas vezes envolve o ato fundamental de apontar a diferença entre intenção, projeto e realização, a leitura dos poemas foi feita a partir de comparações, revelando as implicações de certas escolhas no uso de estilos alternativos. Estes provocam o confronto entre aspectos literários, críticos, teóricos e existenciais em um âmbito menos compartimentado e realmente vivo, onde a grandeza das posições históricas do autor pode ser avaliada pelo relevo de seus antagonismos. No entanto, a criativa retomada do modernismo e a exigência de modernização deram forma a uma composição nem sempre bem resolvida, e o saldo positivo da poesia de Gullar muito deve à sua adoção de uma formulação menos rígida e mais flexível – em um evidente embate contra a cobrança da mensagem urgente –, a forma dos seus melhores poemas, sua estética.

Danielle Henrique Magalhães

Título: O fim, o começo, o fora do tempo na poesia expressionista alemã

Orientador: Alberto Pucheu Neto Páginas: 135



Esta dissertação discorre sobre a modernidade na Alemanha a partir da poesia expressionista alemã, tomando como recorte os primeiros anos do século XX, até o marco da Primeira Guerra Mundial. Objetiva-se problematizar a concepção de tempo, levando em conta a confluência das tradições cristã e judaica em tensão com a nova percepção de tempo que passa a assolar os sujeitos com o advento do mundo moderno, com o tempo do futuro orientado para o progresso, para novo. Pensadores que incidiram críticas à modernidade e à tradição ocidental, como Walter Benjamin, Michael Löwy, Giorgio Agamben, Antoine Compagnon, Hannah Arendt, Theodor Adorno, Martin Heidegger, constituirão parte do arcabouço teórico nas análises. Neste tempo de cisões, Georg Trakl canta um mundo perdido, Else Lasker-Schüler e Jakob Van Hoddis anunciam o Fim do Mundo, Nietzsche já havia pronunciado a morte de Deus e Hegel já teria dito sobre o fim da Arte e o fim da História. Todavia, as ideias de fim não apontam todas para um mesmo sentido. Sendo assim, diferentes interpretações serão apresentadas com o propósito de não eliminar a complexidade da compreensão. Uma leitura otimista enxerga o crepuscular de Trakl como o tempo mais cedo. Por outro lado, seria difícil ver com algum otimismo todas essas entonações de fim. Talvez, neste terreno ocidental de desterrados, haja outros apartados que já se colocam fora do tempo.

Gleyson Dias de Oliveira

Título: O homem em sua configuração: o ser que compreende, interpreta e age

Orientador: Manuel Antônio de Castro Páginas: 81



Esta dissertação ocupa-se com a atividade humana e sua relação com algumas áreas de estudos como a antropologia, história e literatura. Estudamos o homem com sua identidade deslizante e na sua carência por uma interpretação de si mesmo e de como importa estar baseado na tradição como ponto de partida para toda e qualquer busca de legitimação da compreensão e interpretação. Quando nos estudos da cultura temos lacunas que não podem ser preenchidas pelas outras áreas, antropologia, história, abrese espaço para a literatura e será no espaço ficcional que poderemos ativar o imaginário. Ele buscará ressignificar os silêncios da história, bem será uma nova abertura para pensarmos a relação do Eu com o Outro. A história avança e a sua interpretação também; o documento histórico mudou, as fontes históricas mudaram também. Quem se apropria da nova documentação histórica dirige-se para esta nova documentação com um outro olhar, e a epistême implicada neste processo muda a luta individualizada. A pós-modernidade aparece nesta nova zona de mudanças e apresenta uma nova via para tratarmos dos temas da ética, não mais na busca por um fundamento ético universal, mas uma ética a ser pensada e aplicada no contexto.

Luciana Silva Camara da Silva

Título: A poética do (in)visível em Junco, de Nuno Ramos

Orientador: João Camillo Barros de Oliveira Penna Páginas: 152



A presente dissertação dedica-se a estudar a inter-relação artística entre poesia e fotografia, com base na obra de Nuno Ramos, intitulada Junco (2011). Trata-se de uma obra ousada em que se conjugam fotos de cachorros e troncos mortos que reinscrevem a temática que permeia a sua obra: a transformação da matéria animal e vegetal em diferentes formas. Entende-se que a sagacidade visual e literária do artista-poeta se combina e mistura-se de tal modo originando uma poética reflexiva única constituída de elementos tradicionalmente esquecidos, agora transformados em arte. Por isso, esta pesquisa investe no estudo de ambas as linguagens concebidas como poéticas. Cumpre acrescentar que o diálogo entre poesia e fotografia, além de ser examinado segundo os conceitos de studium e punctum estabelecidos por Roland Barthes, em A câmara clara, recorre ainda a uma convergência teórica entre Georges Bataille, Georges Didi-Huberman, Henri Focillon, Jacques Rancière, Jean-Luc Nancy, Maurice Blanchot, Octavio Paz, Rosalind Krauss, Susan Sontag e Walter Benjamin.

Marianna Guimarães Alves

Título: Palavras sobreviventes: o protagonismo indígena na literatura contemporânea no Brasil

Orientador: Eduardo de Faria Coutinho Páginas: 112



Este trabalho tem como principal objetivo analisar e propagar algumas das palavras indígenas registradas de forma escrita na contemporaneidade brasileira. Tendo em vista não somente o aspecto sobrevivente dos remanescentes dos primeiros povos, como também de suas diversidades e de suas atuações enquanto sujeitos de seu próprio discurso, esta pesquisa pretende, associada aos textos selecionados, desconstruir a ideia de integração e assimilação dos povos indígenas ao padrão social nacional e mostrar que a tradição e a cultura indígenas permanecem fortalecidas mesmo quando manifestadas através dos códigos de comunicação dominantes. Além disso, nossa pretensão é mostrar que os textos escritos atualmente por indígenas de diversas etnias do atual território brasileiro simbolizam uma luta identitária, visando o respeito pela diversidade e a melhoria da sociedade não indígena. Para tanto, utilizaremos como principais bases argumentativas os livros de Olívio Jekupé, Daniel Munduruku, Eliane Potiguara e Graça Graúna, defendendo que "as palavras indígenas sempre existiram" e que a escrita é apenas uma forma de difundi-las.

Palmireno Couto Moreira Neto

Título: A cidade e o homem: Borges, Invasión e o sonho de Aquiles

Orientador: Danielle Corpas Páginas: 121



“Invasión é a lenda de uma cidade, imaginária ou real, sitiada por fortes inimigos e defendida por uns quantos homens, que talvez nem sejam heróis. Lutam até o fim, sem suspeitar que sua batalha é infinita.” Essa sinopse, escrita por Jorge Luis Borges, apresenta Invasión, filme cujo roteiro foi escrito por Borges e Hugo Santiago. Lançada em 1969, a obra exibe as ações de um grupo que tenta impedir uma invasão estrangeira. Entretanto, mais do que um simples ato de resistência, a defesa da terra natal expõe valores individuais e coletivos e mobiliza os homens na construção de um ideal de cidade. Para compreender alguns aspectos do enredo e da trajetória dos personagens principais do filme, a interpretação elaborada neste ensaio recorre ao imaginário sobre cidade, homem e coragem presente na obra de Borges.

Simone Silva de Paula

Título: Cidade fera: quem poderá olhar-te nos olhos?

Orientador: A Beatriz Vieira de Resende Páginas: 85



O trabalho propõe um diálogo com os corpus literários Eles eram muitos cavalos (2013) e Domingos sem Deus (2011), escritos por Luiz Ruffato, intérprete da Literatura Brasileira do presente século. Nas narrativas encontramos cidades como Rodeiro, São Paulo, Rio de Janeiro e Cataguases. No entanto, não utilizei como estratégia a abordagem clássica da representação das cidades. E sim, pensar tais espaços enquanto ocupação ficcional multiperspectiva da memória. Uma vez que reconhecemos nestes espaços os múltiplos sentidos, adotei como hipótese norteadora da pesquisa, não apenas a representação de espaços locais, e sim, a imaginação dos vestígios da cidade fera: o consumo, a falta de esperança e o trágico pós-moderno.
A dissertação dialoga com os anônimos do romance Eles eram muitos cavalos e com os nomeados: Mirim, Guto, Carlos, Sandra, Dona Nica presentes em Domingos sem Deus. Estes, alcançados pelos pedaços das cidades, perdem-se de si mesmo e uns dos outros. Deparam-se com destinos diferentes dos sonhados nos primórdios de suas vidas. A visibilidade que tais personagens ganham na narrativa dialoga com a partilha do sensível, termo cunhado pelo filósofo Jacques Rancière.
Convido para o debate teórico outros pensadores como Beatriz Sarlo, Boris Groys, Massimo Canevacci, Michel Maffesoli, Nestor Canclini e Zigmunt Bauaman.

Rogério Pires Amorim

Título: Pássaro da manhã: um estudo sobre a poética de Orides Fontela

Orientador: Marco Americo Lucchesi Páginas: 94



Uma leitura da poética de Orides Fontela e a tentativa de captar o espírito do conjunto da obra da poeta. Por um lado, são elencados autores que na nossa perspectiva elucidarão a obra da autora. Por outro, tudo o que está em sua obra e que implica sobre sua própria trajetória.

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Coordenadora: Profª. Flavia Trocoli

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