Aline Fernandes Menezes

Título:Verdade tropical: Tropicália mote contínuo, Brasil moto-contínuo

Orientador: Luis Alberto Nogueira Alves Páginas:111



Esta dissertação discorre sobre o livro Verdade tropical, de Caetano Veloso, publicado em 1997. Trinta anos depois da eclosão do movimento, o cantor vinculava seu gesto ao desejo de contar a “história do tropicalismo”. Ultrapassando as pretensões confessas, o livro também funciona como uma autobiografia do autor e crônica de uma geração. Neste trabalho, discutiremos as peculiaridades formais da obra, cuja prosa híbrida conjuga ensaísmo e narração. Além disso, também traçaremos reflexões sobre as possibilidades de intervenção trazidas pela narrativa autobiográfica e pelo relato de memória, identificando a forma como o tropicalismo e o debate cultural da década de 1960 como um todo foram rememorados por Caetano no final dos anos 1990. Constituirão parte primordial do arcabouço teórico deste trabalho os estudos do crítico Roberto Schwarz sobre tropicalismo e Caetano Veloso, sobretudo seu ensaio “Verdade tropical: um percurso de nosso tempo”, publicado em 2012. Buscando expandir os limites da reflexão, a dissertação, por fim, tentará relacionar a continuidade dos debates sobre a década de 60 – e sobre o tropicalismo – à não resolução de questões que continuam ditando os teimosos destinos do país.

 

Allan Luiz Ramos Alves

Título:Valêncio Alêncio Xavier, o Frankenstein de Curitiba: Rastros e Formas da Violência no Brasil

Orientador:Doutora Deanielle dos Santos Corpas Páginas:122



Por meio de um trabalho predominantemente visual realizado pela justaposição de diferentes linguagens e materiais, Valêncio Xavier (1933-2008), paulistano radicado em Curitiba, criou, à semelhança do doutor Frankenstein — com o experimento de unir partes de corpos distintos para criar um ser híbrido —, novelas e contos altamente peculiares. Embora esse traço tenha despertado curiosidade e provocado estranhamento por conta da experimentação formal ímpar, a obra de Valêncio ainda não conta com uma fortuna crítica que se debruce de fato sobre uma produção tão brilhantemente perturbadora. Reconsiderar ou estabelecer um debate crítico sobre ela significa reconhecer, no exame pormenorizado de cada livro, os modos como a montagem e os recursos plásticos oferecem uma alternativa ao desafio de representar temas de natureza problemática que atravessam a modernidade.Enquanto exercício crítico e ensaístico, esta dissertação expõe e analisa os modos como, na contramão de um discurso autorizado e oficial, composições singulares lidam, na elaboração formal, com matérias difíceis da experiência social, sobretudo a violência  especialmente no Brasil, cuja formação estrutura-se em bases essencialmente violentas. Em um tempo definido pela dispersividade, pelo sensacionalismo, pela fragmentação da experiência e pelo esquecimento seletivo, há certa recorrência no aparecimento de impasses negligenciados e mal resolvidos. Nesse sentido, iluminada por proposições teóricas de textos fundamentais, a leitura cuidadosa dos volumes O Mez da Grippe e outros livros (1998), Minha Mãe Morrendo e o Menino Mentido (2001), Crimes à moda antiga (2004) e Rremembranças da menina de rua morta nua (2006) destaca a importância de não permitir que a obliteração, o anonimato e o apagamento da memória sejam capazes de embotar discussões necessárias sobre a danosa supremacia da brutalidade e do silenciamento. Afinal, nessas narrativas, criatividade e perspicácia contribuem decisivamente para apontar os sintomas da constituição tortuosa de uma sociedade que, com apoio de suporte midiático, banaliza e espetaculariza morte, criminalidade e atos violentos em geral.

 

Eduardo Oliveira Pereira

Título:As mortes de Josef K.: da tensão entre melancolia e luto

Orientador:Flavia Trocoli Xavier da Silva Páginas:111



A presente dissertação trata de duas cenas que envolvem um mesmo e outro personagem e, cada uma a seu modo, figuram as mortes de Josef K., porém, cenas contidas em corpus de obras diferentes, a primeira em O processo e a segunda no livro Um médico rural. Tento construir uma relação - que não significa necessariamente uma dialética - entre tais cenas de morte de Josef K., e, nesse sentido, sou levado a pensar no jogo do Fort-Da descrito por Freud, mais precisamente no que diz respeito aos efeitos de leitura que se manifestam entre o fosso da ausência de representação para falar da dor de uma morte sem túmulo e o substituto dessa ausência de representação, substituto da dor dessa morte que não tem medida. Sustento que tais efeitos de leitura atravessam, em tensão permanente, os caminhos da melancolia, marcantes em O processo, e do trabalho de luto, supostamente terminado em Um sonho quando a perda do objeto, do corpo, é nomeada a partir da inscrição do nome de Josef K. na lápide. Um sonho consiste em outra narrativa, outra forma de conjugar essa pura perda sem palavras, essa pura dor que é morrer "como um cão", e justamente essa leitura a transforma em cena substituta desse impossível de representação. Não se trata, portanto, de uma leitura orgânica na qual uma cena substitui a outra em termos de estrutura, mas sim uma leitura em que uma cena faz corte no que se pretende totalitário e, por consequência, propõe outra aliança, propõe a vigência de outra forma de ler Kafka, forjando-se outra prática de escrita, rasura e palimpsesto, algo da ordem de um contar de novo, de uma reescrita que redimensiona o trauma contido na primeira cena e confirma que esse trauma necessita ser repetido, reencenado para se instalar. Não há cura entre uma cena e outra, não há apagamento do trauma e da dor, mas apenas a constatação de que são formas diferentes de dizer dessa morte, dessa perda.

 

Guilherme Belcastro de Almeida

Título:Murmúrios entre fantasmas: o que pode restar de Pedro Páramo

Orientador:Flavia Trocoli Xavier da Silva Páginas:102



Esse trabalho procura buscar os restos de Pedro Páramo, de Juan Rulfo, a partir de uma leitura cerrada que se desenvolve da obra. Parte-se de uma análise da morte, do luto e da ruína, três elementos fundamentais na construção da narrativa. Em seguida, a discussão passa pelo problema do lugar que assume a história no romance, para por fim trazer ao centro da análise as cenas de loucura e parricídio, associadas a um método da escrita rulfiana de corte, que gera um exército de ruínas e restos. A análise de outras obras literárias que colaboram com a discussão passa pela literatura contemporânea a Rulfo e à escrita desse trabalho. Também são de grande importância as leituras da obra fotográfica de Juan Rulfo

 

Mario Marcio Felix Freitas Filho

Título: O CORAÇÃO VALENTE: William Wallace e a reapropriação do espírito do guerreiro medieval

Orientador: Doutor Eduardo de Faria Coutinho Páginas: 70



A Idade Média contém o gérmen da construção de uma pós-modernidade e ela continua a ser recontada de formas diversas e em diferentes mídias. Nosso objetivo foi analisar a persona de William Wallace que, a partir da Primeira Guerra de Independência da Escócia, foi reapropriado diversas vezes ao longo dos séculos. Sua vida foi recontada em forma de poema épico, romance, música e película cinematográfica. Este fato nos trouxe uma reflexão sobre a transformação de Wallace, cujos feitos são transfigurados a partir da formação de um mito sócio-político-econômico visto por teóricos de diversas áreas afins, como por exemplo, os estudos culturais e a teoria da literatura e do cinema.

 

Coordenação

Coordenadora: Profª. Flavia Trocoli

Vice-coordenador:Prof. Alberto Pucheu

Atendimento: Noêmia Costa
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